O que vem a ser o golpe
Elio Gaspari
Elio Gaspari
31 de Agosto de 2016

Na manhã de terça (30), o senador Aloysio Nunes Ferreira reagiu a uma provocação de um deputado que ofendia a advogada que acusava a presidente Dilma Rousseff e ameaçou chamar a polícia legislativa para retirá-lo do plenário. Na véspera, como Nunes Ferreira, o senador José Aníbal, também da bancada tucana de São Paulo, lembrou seus 50 anos de amizade com a presidente e, em seguida, defendeu seu impedimento.


Hoje Dilma Rousseff perderá seu mandato. Assim, dos quatro brasileiros eleitos para a Presidência desde a redemocratização, dois terão sido defenestrados. Essa é uma taxa de mortalidade semelhante à do vírus ebola, um sinal de que algo vai mal em Pindorama. Afinal, Dilma será deposta e o deputado Eduardo Cunha, espoleta do seu processo de impedimento, continua com seu mandato.


As sessões do julgamento de Dilma mostraram a beleza do ritual da Justiça. Ouvidos a ré, os advogados e os senadores, restarão uma sentença e a impressão de que houve muita corda para pouca forca. As pedaladas –único elemento levado ao juízo– foram crime de responsabilidade, num caso de pouco crime para muita responsabilidade. Como não existe a figura de "pouco crime", o resultado estará aí, irrecorrível, legal e legítimo.

Leia a ÍNTEGRA da coluna de Elio Gaspari, publicada pelo jornal Folha de S.Paulo em 31 de agosto de 2016 

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