O Leviatã tropical
Everardo Maciel
Everardo Maciel
01 de Dezembro de 2016

José Guilherme Merquior (1941-1991), notável pensador brasileiro, dizia que no Brasil há Estado de mais e Estado de menos. É o Leviatã tropical, variante não cogitada por Thomas Hobbes.


A violência incorporou-se ao cotidiano do País, sendo tratada como mero objeto de inúteis especulações pelos intelectuais e como fato inevitável pela mídia. Já o Estado se mantém olimpicamente indiferente. Quando muito, atém-se a providências episódicas ou pífias. Como era mesmo o nome daquele programa que pretendia erradicar a violência nos morros cariocas? Imagino os comentários sarcásticos dos traficantes – verdadeiros governantes destas áreas de exclusão social – sobre as chamadas Unidades de Polícia Pacificadora, no Rio. A debilidade do Estado no enfrentamento da violência, também, explica a presença temporária de unidades das Forças Armadas e da força nacional em algumas cidades.


A violência também se revela nas manifestações de rua promovidas por movimentos organizados ou não. Patrimônio público e privado destruído, queima de pneus impedindo a livre circulação, invasão de prédios públicos, estabelecimentos escolares e dependências do Poder Legislativo produzem um perigoso clima de vandalismo. Nessa escalada, não será desarrazoado presumir que os próximos alvos das invasões sejam sedes do Poder Executivo, dependências do Poder Judiciário e quartéis.

Leia a ÍNTEGRA DO ARTIGO, publicado no jornal "O Estado de S. Paulo", em 01/12/2016 

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