O direito dos outros
Everardo Maciel
Everardo Maciel
01 de Setembro de 2016

O fim do processo de impeachment deve ser visto apenas como uma etapa de um árduo esforço de reconstrução nacional. A Operação Lava Jato e outras iniciativas congêneres ainda não concluíram sua missão de desvelar a corrupção sistêmica, que adoeceu o Estado brasileiro, exibindo uma teratológica dimensão do patrimonialismo, que nem mesmo Raymundo Faoro, em Os Donos do Poder, fora capaz de antecipar. Além da superação da crise econômica, mormente a fiscal, construída com requintes de maldade e ignorância nunca vistos, há muito que fazer.


Não se pode esquecer que a corrupção se entrelaça com o abuso do poder do Estado, de onde se deduzem a arrogância e a intemperança dos que governam. O Estado brasileiro, desde a Independência, tem uma índole marcantemente autoritária, inaugurada com a nossa primeira Constituição (1824), outorgada por Pedro I, após a dissolução da Assembleia Constituinte, sufocando as pretensões liberais e dando causa a revoltas, como a Confederação do Equador, em Pernambuco.


Desde então, o Estado brasileiro guarda estrita fidelidade ao temperamento autoritário, frequentemente com aval popular. A propósito, Gilberto Freyre, em Casa Grande e Senzala, ao qualificar o Brasil como uma “Rússia americana”, salientava o fascínio que um “governo másculo e corajosamente autocrático” exerce sobre o povo.

Leia a ÍNTEGRA DO ARTIGO, publicado no jornal "O Estado de S. Paulo", em 01/09/2016 

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