"O Brasil não merece isso", por José Aníbal
20 de Janeiro de 2016

Dá vontade de dizer fora FMI. O Fundo está aumentando a projeção de crescimento negativo da economia brasileira. De menos 1,0% para menos 3,5% neste ano de 2016. Para 2017, de mais 2,3% para 0,0% (zero). Mas, desgraçadamente, o FMI tem razão. Duro imaginar a devastação desta notícia para os milhões de desempregados de 2015. Para eles, a procura de uma recolocação se esfarinha. E os milhões de trabalhadores que perderão seus empregos em 2016?


“Onde realmente pega e dói, e vai continuar doendo, é o desemprego. Uma coisa é apertar o cinto. Isso todo mundo faz. Outra coisa é perder a renda, a condição e os meios de vida. Desemprego é isso”. Análise do economista Eduardo Giannetti no Estadão/Economia (17/01) sobre o cenário para o país.


A Petrobras, infelizmente “alinhada” ao desastre Dilma/Lula/PT, vale hoje 14,5% do que valia em 2008. Perdeu inacreditáveis R$ 436 bilhões em valor de mercado e deve R$ 500 bilhões. Dilma controla a empresa desde 2003. Devia se envergonhar pelo feito de arruinar uma das maiores petroleiras do mundo. Hoje, a Petrobras está queimando ativos – Transpetro, Braskem, BR Distribuidora – e é quem mais desemprega no Brasil. No delirante projeto do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), 35 mil trabalhadores foram colocados na rua. Na roubalheira, segundo a Procuradoria-Geral, apenas o PP desviou R$ 358 milhões de 2006 a 2014 na Petrobras. Quanto desviaram o PT e aliados? Má gestão, corrupção, nacionalismo velhaco e cínico dilapidam a Petrobras.


Dilma, em mais uma patética manifestação na entrevista de 15/01, diz que não se afasta o chefe do Executivo apenas por “não simpatizar” com ele. É conhecida a dificuldade de se expressar da presidente. Um estado de confusão mental que a levou a lamentar a impossibilidade de armazenar ventos. Devia acrescentar lamento pela impossibilidade de armazenar caráter, compostura, honestidade, por oposição ao cinismo, à desfaçatez, à plácida convivência com a corrupção e à precipitação do país no caos, desgoverno e depressão, marcas indeléveis de sua gestão.


Os crimes cometidos por Dilma não se resumem às pedaladas, à destruição do setor de energia, à corrupção generalizada e tantos outros. É o conjunto da obra. No entanto, o pior crime, aquele em que de algum modo todos seremos cúmplices, é o de contemplar a continuação do seu governo. O que será o Brasil com Dilma ao final de 2016? E em 2017? O que falta acontecer para que o Parlamento se movimente não para ser cúmplice de um moribundo, mas para decidir sobre o impeachment? Que história é essa de que algo de novo tem que aparecer para motivar os representantes do povo? Quantos milhões mais de desempregados? O impeachment é instrumento legítimo de interrupção de mandato. Está na Constituição. Quem se manifesta contra, independentemente das motivações, quer esconder o sol com a peneira. O Brasil não pode se acovardar diante do cenário que temos hoje e todo dia fica pior.


As lideranças políticas, destacadamente as da oposição, têm o desafio e a obrigação de se comunicar mais e melhor com a sociedade. Sintonizar com o Brasil real, que sofre com o país à deriva. É urgente recuperar a confiança e a credibilidade numa ação a favor do Brasil. O ponto de partida: é possível com Dilma e o que ela representa? Não. O petismo esgotou todo seu arsenal de má-gestão e corrupção, bonanças insustentáveis a custos insuportáveis, uma aventura que nos faz retroceder décadas de conquistas com enormes prejuízos para o povo brasileiro. Dilma está reclusa no seu Palácio. Sua interlocução e ação concentra-se em mais transgressões para ter sobrevida. O Brasil não merece isso.


(*) Presidente Nacional do ITV


Artigo publicado no Blog do Noblat, em 20/02/2016

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