"No caminho", por José Aníbal
24 de Junho de 2016

Vamos ter mais uma semana de audiências com "testemunhas" na Comissão do Impeachment da afastada presidente. É exasperante e apenas serve para espicaçar os que querem virar de vez a página do desastre petista. Os que estão na Comissão procurando encurtar o espetáculo grotesco que a cada dia repete os anteriores enfrentam jornadas de ópera bufa patrocinadas pelos petistas e apaniguados.

Os brasileiros, desempregados ou ameaçados pela crise, com rendas cada dia mais reduzidas, comidas pela inflação da estupidez e ignorância de Dilma, não entendem (nem eu) por que estamos obrigados a um velório tão longo do lulopetismo e sua última cria, sem nenhuma chance de mudar o veredicto final do afastamento definitivo de Dilma. Esta parece se comprazer em continuar morando no Alvorada, isolada, tal qual alma penada, por mais umas semanas, sem agenda e sem rumo. O certo é que Dilma continua fazendo mal ao Brasil, praticando vingança e aumentado o repúdio dos brasileiros a ela e os seus.


A grande maioria dos brasileiros já vê Dilma no lixo da história. A sociedade quer mudanças e sabe que elas começam a acontecer na busca de organizar as contas públicas, criar credibilidade, combater a inflação e recuperar o emprego e a renda. Generosamente, os brasileiros sabem que é necessário um tempo e veem que o enfezamento dos afastados é um recurso desesperado dos que não conseguiram fazer aqui o que estão tragicamente fazendo na Venezuela.


Nas últimas semanas, o Congresso tem votado medidas que ajudam o governo do presidente Temer a iniciar um movimento de salvação nacional. Ainda estamos no vermelho, mas já tratamos de temas propositivos e indicativos de que a base parlamentar, com todas as suas mazelas, é capaz de sintonizar com o desejo dos brasileiros para que o País volte a trilhar um caminho virtuoso. Como ponto de partida de um novo regime fiscal, destaque para a proposta de emenda constitucional para conter o aumento dos gastos do governo federal nos limites da inflação do ano anterior.


Surpreende, às vezes, a narrativa frequente dos pessimistas que parecem ter como norte a ideia de que o Brasil não pode dar certo. Têm suas razões. Mas deveriam sobrepor a elas o bom embate de sustentar ações que combatam a desigualdade e contribuam para construir uma cultura de enfrentamento constante ao corporativismo, o populismo e o clientelismo.


Se a isto associarmos uma ação vigorosa em favor de reformas inadiáveis, incluindo mudanças no regramento político/eleitoral, serão grandes as possibilidades de sairmos da crise fortalecidos por uma representação política mais sintonizada, transparente e efetivamente prestadora de contas a quem importa: o eleitor.

Comentários