"Mito de barro", por Solange Jurema
28 de Outubro de 2015

Fruto da redemocratização do Brasil na década de 70, o metalúrgico Luís Inácio Lula da Silva desenhou uma trajetória política quase impecável até chegar a Presidência da República em 2002, após três tentativas frustradas.


Sua ascensão ao mais alto cargo da nação transformou o rouco líder sindical em mito da história política brasileira, apesar de todo o viés “esquerdista” que alimentava a ideia da construção de um partido único, forte e autoritário.


Com a divulgação tranquilizadora da “Carta aos Brasileiros” e a nova roupagem escolhida a dedo por um marqueteiro para a campanha eleitoral, Lula, finalmente eleito, fez um primeiro governo de acordo com as premissas econômicas fundamentadas nos dois governos anteriores, do tucano Fernando Henrique Cardoso.


Lula soube aproveitar a ocasião e “surfou na onda” do ajuste econômico do Plano Real e no crescimento da economia mundial embalada pelo veloz crescimento da China e de alguns outros países.


Mas o então inatacável líder petista e sua trupe começaram, desde cedo, a pilhar os cofres públicos, armando um esquema de corrupção que lhes garantisse apoio político no Congresso Nacional.


Criado o “Mensalão” e desmascarado o seu modelo, Lula ainda conseguiu iludir boa parcela da população, que o reelegeu e sufragou sua indicação para o cargo, na eleição seguinte; a então ministra Dilma Rousseff. Neófita na política, porém experiente no sistema corrupto que seu partido implantou em praticamente todas as instâncias do governo federal.


E veio o “Petrolão”, um novo saque petista, mais uma vez com o envolvimento direto do “grande timoneiro” e agora, de seus familiares nos desvios bilionários de recursos públicos para os bolsos privados e o caixa dois do PT e partidos aliados.


Imagino a decepção que boa parte da população está sentindo ao ver o líder popular que criou um partido, disputou e ganhou a Presidência da República, sempre levantando a bandeira da ética e dos despossuídos, se revelar o responsável e mentor, assim como o PT, de dois dos maiores escândalos de toda a história do Brasil, talvez até do mundo.


A cada dia, a cada semana, surgem novas e constrangedoras denúncias de que um filho, uma nora, um amigo ou uma empresa do amigo do amigo se beneficiaram da “proteção” lulista e dos asseclas entronizados no PT ou nas estatais brasileiras, de acordo com relatos de delatores e das investigações da “Lava Jato”.


É lamentável e desolador assistir a isso. O povo brasileiro não merece testemunhar esse espetáculo deprimente: acreditar em uma liderança humilde e vê-la se autodestruir ao procurar garantir o futuro dele e dos seus, ao invés de lutar pelos interesses de milhões de pessoas que o viam como um ídolo, como um mito.


O povo humilde do Brasil, que via em Lula a esperança de um dia ter uma vida melhor, acordou a tempo de ver que o mito é de barro.


(*) presidente do Secretariado Nacional da Mulher/PSDB

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