“Lula, a mentira ambulante”, por José Aníbal
25 de Novembro de 2015
No jornal "Hora 1" da Globo de ontem, vi as filas quilométricas de desempregados em Niterói. Brasileiros e brasileiras sem emprego há um ano, seis meses, marido e mulher, jovens, adultos, idosos. Senhora desesperada, chorando por ter contas atrasadas há seis meses. Concluindo a matéria, a jornalista Monalisa Perrone comenta os dados crescentemente negativos para o ano que vem, divulgados (tardiamente) pelo governo. Mais desemprego, mais inflação, mais recessão. Não é só que a fila vai continuar, o que já é desolador. Vai aumentar. Muito, desgraçadamente. O que fazer?

O que esperar do governo, a quem incumbe ter, pelo menos, alguma ação de recuperação de credibilidade para sairmos do buraco que cresce, devastando a economia, como a lama criminosa de Mariana devasta as regiões por onde passa? A presidente viaja. Deve estar esperando que de algum modo a crise possa decantar e seu vale-tudo para manter o mandato lhe dê sobrevida. Para ter algo a dizer, a presidente balbucia que a volta da CPMF é a única "aposta" para resolver os problemas do país no ano que vem.

É deplorável ter uma presidente que nada mais tem a propor ao país que uma "aposta". Viramos um cassino? Ou voltamos para um triste passado onde Collor dizia ter uma bala para a inflação? Dilma, cada vez mais parecida com ele, passou o ano nos roubando na conta de luz, na inflação de mais de 10%, nos alimentos mais caros. Aturdida e sem rumo, quer nos impor nova expropriação via CPMF. O povo não é bobo. "A gente até topa fazer algum sacrifício a mais para tirar o Brasil da crise. Mas não com essa mulher". Foi a palavra de um motorista em Brasília, certamente falando pela maioria dos brasileiros.

Da parte do governo, alguma voz sensata, sem arrogância e mentira, em busca de algum tipo de entendimento, de diálogo? Nada. O que fala por todos eles, Lula, em entrevista para Roberto D'Ávila, proclama: "Não há presidente que vá retirar o que as pessoas conquistaram. Ninguém perdeu nos últimos 12 anos". Mentiroso: 819 mil desempregados, com carteira assinada, até outubro deste ano. Total de desempregados chegou a 9 milhões, segundo o IBGE. Redução de benefícios em todos os programas sociais. Redutos do Bolsa Família se insurgindo contra o governo.

Lula, a metamorfose ambulante, é cada vez mais a mentira ambulante. Não fez outra coisa na entrevista mencionada. Mentiu do começo ao fim. Aliás, é difícil encontrar alguma coisa dita por Lula que tenha alguma consideração ou apreço pela verdade. Mente, tergiversa, tenta livrar o PT da íntima associação com a roubalheira, o desgoverno e a paralisia.A última armação lulopetista é, segundo o jornal Valor Econômico, uma "defesa" contra denúncias de corrupção para ser levada à Europa e Ásia. Acusam "setores" do Ministério Público, da Polícia Federal e do Judiciário de uso da Lava-Jato para mais uma tentativa de "criminalizar o PT, como foi o mensalão". Cinco mil exemplares em inglês e espanhol na contramão do que todos os brasileiros sabem. Quantas bravatas para desmentir fatos. Um petista resume a armação: "O Lula forte lá fora é forte aqui dentro". É para ter dó, pena? Pena de nós que temos um mentiroso tutelando uma presid ente que continua enrolando os brasileiros de maneira inescrupulosa.

A ampla maioria da população tem uma avaliação clara sobre o governo. Também sobre o PT e os íntimos amigos de Lula, com destaque para Bumlai, agora na PF de Curitiba. É muito provável que a tensão social agravada cotidianamente pela crise econômica provocará uma retomada das manifestações dos brasileiros por um novo governo. Este está esfarinhando. Vamos esperar que o Congresso faça sua parte.
(*) presidente nacional do Instituto Teotônio Vilela e senador suplente pelo PSDB-SP. Foi deputado federal e presidente nacional do PSDB.

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