Haia 110 anos
Celso Lafer
Celso Lafer
17 de Setembro de 2017

Há 110 anos ocorria a 2.ª Conferência de Paz de Haia. Ela foi significativa e teve desdobramentos importantes. Cabe lembrá-los hoje, na medida em que o analista contemporâneo reflete sobre a experiência histórica, levando em conta, à luz das inquietações do presente, a dimensão civilizatória do Direito das Gentes.


A conferência de 1907, da qual o Brasil participou ativamente, tendo Ruy Barbosa como chefe da delegação, foi o primeiro grande ensaio da diplomacia multilateral no século 20. Representou o momento inaugural da presença brasileira nos grandes foros internacionais. Um dos seus desdobramentos para a política externa brasileira foi a constante importância que passou a ser atribuída ao multilateralismo como um dos caminhos da inserção internacional do País.


As duas conferências de Haia, a de 1898 – da qual o Brasil, embora convidado, não participou – e a de 1907, tiveram um caráter inovador no campo das relações internacionais. Foram conferências multilaterais que não lidaram com a organização da ordem internacional de um pós-guerra.


As conferências de Haia tiveram como lastro instigador a ideia da paz, defendida pelos movimentos pacifistas que, a partir do século 19, se organizaram no âmbito da sociedade civil, reagindo aos horrores da guerra, que se viram magnificados pela destrutividade das armas que a inovação tecnológica foi propiciando. Foram os horrores da guerra que inspiraram, no plano da sociedade civil europeia, a criação da Cruz Vermelha, em 1863, dando origem ao direito humanitário com a Convenção de Genebra de 1864, voltada para humanizar a guerra por meio de normas que se ocupavam da sorte dos militares feridos nos exércitos em campanha.

Leia a ÍNTEGRA do artigo, publicado no jornal "O Estado de S. Paulo", em 17/09/2017

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