"Dilma é algoz, não vítima", por José Aníbal
José Aníbal
José Aníbal
20 de Abril de 2016

O impeachment é resultado da extraordinária mobilização dos brasileiros. Nas ruas, nas redes, em todo lugar. Na capital do Estado de São Paulo, a reunião espontânea na Avenida Paulista de cerca de 300 mil pessoas, vindas de todo o Brasil para acompanhar ali a votação, foi impressionante e reveladora do quanto é profunda a motivação por mudanças. Em Brasília, o bloco da mudança teve muito mais frequência (espontânea) que a banda do atraso. Mudança que não comporta jogo de cena. Mudança para consumar o acolhimento do impeachment pelo Senado sem manobras regimentais, como ficou decidido no começo da noite de ontem quanto à instalação da comissão. Mudança para nos propiciar o que não temos hoje: um governo. Um novo governo, em real sintonia com os sentimentos fortemente convergentes com o propósito de tirar o Brasil da crise.


Do que restou de Dilma e do lulopetismo, o que vemos é vergonhoso. Aferrados ao poder, definitivamente incapazes de qualquer gesto - não de grandeza que seria inútil esperar, mas de piedade com o País que quebraram e pilharam -, estão raivosos. Ameaçadores, aparentam ignorar por completo o desastre em que mergulharam o País. Seus seguidores, tal como uma seita, encabeçada por Dilma, repetem a todo momento: “o inferno são os outros”. Dilma, patética, investe toda energia na menção aos ventos que não conseguiu armazenar e atingiram seu governo: crise internacional, commodities em baixa, queda nos preços do petróleo, desafios que triunfaram sobre a incompetência e o desgoverno do PT. Delirante, mas ainda autocrática e arrogante, Dilma é a imagem de quem chegou ao fim da linha na vida pública e deixou como legado apenas um rastro de terra arrasada.


Levantamento feito pelo Instituto Teotônio Vilela, centro de estudos e formação política do PSDB, com base em dados e estimativas oficiais disponibilizados pelo Banco Mundial, Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pelo site de relacionamento internacional Trending Economics mostra que o Brasil é o país que mais desemprega no mundo! Repetindo: o Brasil foi o país que mais gerou desempregados em todo o mundo em 2015: 2,7 milhões de novos desempregados. Ao longo dos doze meses de 2015, o total de desempregados passou de 6,4 milhões para os 9,1 milhões registrados no último mês de dezembro, de acordo com a Pnad Contínua, do IBGE. O estudo considera todos os países da União Europeia, os membros da OCDE, as economias mais desenvolvidas e os países da América do Sul, exceto a Bolívia. Nos três primeiros meses deste ano, centenas de milhares de trabalhadores foram mandados para o olho da rua. O mais assustador é a estimativa da OIT de que 1 em cada 3 novos desempregados no mundo em 2016 virá do Brasil!


O desemprego é demolidor num país que anda para trás.


Dilma quer ser vítima. É algoz. Faz terrorismo sobre seu iminente impedimento. Encarcerada em seu Palácio, desdenha do sofrimento da população, e ainda quer agravá-lo. Não há esperança. Há desagregação, pobreza, humilhação.


Dilma quer passar a ideia de que está sendo golpeada pelas pedaladas. Pedaladas quem faz é Robinho. Ela é que não para de nos golpear com crime de toda natureza: fraude, falsidade, maquiagem das contas públicas para enganar, esconder dos brasileiros que, de pedalada em pedalada, conduzia o país ladeira abaixo: campeão mundial do desemprego. Dilma/desemprego 7, Brasil 1. Seus apaniguados que infestam e corrompem a máquina pública ou se locupletam com dinheiro desviado sob os mais diversos patrocínios, não estão nem aí. São seu “exército”, desenvernizado, desmoralizado e lambuzado, mas com as burras cheias o suficiente para curtir a vida numa boa e ignorar os desempregados.


O momento agora é de restabelecer a confiança. Ser confiante sobre o que vai acontecer em seguida a Dilma e ao lulopetismo, é acreditar na extraordinária capacidade de mobilização dos brasileiros. Daí certamente virá a vitalidade necessária para um arranjo político e social, com base em compromissos e ações que vão da manutenção da autonomia das investigações em curso, especialmente a Lava Jato, a credibilidade e confiabilidade para a retomada dos investimentos e recuperação do emprego. Para deixarmos definitivamente associado ao lulopetismo, como estigma e sinônimo, o legado de ter nos levado ao pódio do nefasto campeonato mundial do desemprego.



(*) Presidente nacional do ITV

Artigo publicado no Blog do Noblat em 20/04/2016

Comentários