“Enfim, o reconhecimento do PT”, por José Aníbal
17 de Junho de 2015
Acuada em busca de alguma credibilidade para atrair investidores estrangeiros, Dilma Rousseff decidiu retomar o modelo de concessões do governo FHC – aquele mesmo que Lula e o PT tanto satanizaram. Durante solenidade de anúncio, Dilma disse que a nova rodada de privatizações marca uma “virada gradual e realista de página”.

Nelson Barbosa, ministro do Planejamento, foi além. Segundo ele, a licitação por outorga deve trazer mais eficiência ao processo e desonerar o setor produtivo. “Ele vai contribuir para recuperar mais rápido a economia brasileira”, disse. Joaquim Levy, da Fazenda, anotava: “Trata-se de um choque produtivo para a retomada do crescimento”.

Segundo os jornais, Dilma resistiu até o último segundo ao modelo, pois não queria passar recibo de que o jeito adequado é o tucano. Mas teve de passar, não tinha saída. Era isso ou o plano naufragava, tal o descrédito, a inépcia e a ruína de expectativas deixados pelo primeiro mandato da presidente. A fórmula anterior para atrair investimento era gritar ‘Xô!’

Mas o tributo do PT ao PSDB não para por aí. A Folha de sábado revelou os insuspeitados elogios do governo às reformas econômicas de FHC. Lançado no ano passado pelos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento e da Agricultura, o site Brasil Export (brasilexport.gov.br) é todo dedicado à atração de investimentos estrangeiros.

“Após reformas macroeconômicas nos anos 1990, o Brasil consolidou sua reputação como um país atrativo para investidores internacionais”, diz o site. “A estabilidade financeira e o vigor econômico do Brasil decorrem de reformas promovidas nos anos 1980 e 1990 que abriram o país ao comércio internacional e liberalizaram setores-chave da economia”. Nem parece que o PT foi contra todas elas!
Tem mais: o plano Real “lançou as bases sobre as quais o crescimento econômico posterior do país foi construído”. E arremata dizendo que “uma das principais consequências do fim da inflação foi uma melhora na distribuição de renda”. Ainda que com sua habitual pequenez, o PT finalmente admite a obra reconhecida pelos brasileiros.

Moral da história? Quando busca credibilidade internacional quanto aos fundamentos da economia, o dinamismo do mercado e o bom ambiente de negócios, o governo Dilma Rousseff, ainda que de forma envergonhada e dissimulada – e também por sobrevivência -, recorre ao legado do PSDB, reafirmando a durabilidade das conquistas e o novo patamar alcançado.

Falta generosidade e grandeza ao PT. O rebaixamento do debate político deve muito a essas falsificações históricas, quando o partido tenta enlamear as conquistas da sociedade brasileira contra as quais se posicionou. Na berlinda, Dilma agora se vê obrigada a admitir que o país não começou com o PT. Do mesmo modo que não vai acabar, apesar dos desastres do lulopetismo. De nossa parte, agradecemos a homenagem. Ela é mais do que justa, ainda que tardia.

(*) Senador suplente pelo PSDB-SP e ex-deputado federal

Artigo publicado no Blog do Noblat

 

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