"Chega de capitalismo de quadrilha", por José Aníbal
16 de Março de 2016

Das andanças pela Paulista no último dia 13 de março, entusiasmado por participar de um ato único pela grandiosidade e propósito democrático, destaco os reiterados desejos e cobranças dos manifestantes sobre um posicionamento dos políticos, especialmente dos parlamentares, quanto à saída de Dilma e do PT: “Agora vocês tem que fazer sua parte”. “Não há mais o que esperar”. “O impeachment está nas mãos de vocês”. Em nenhum momento, ódio ou simpatia a qualquer procedimento fora das leis. Apenas o desejo intenso de que a maioria parlamentar propicie ao Brasil voltar a ter um governo. Além da descrença absoluta de que o lulopetismo possa renascer das cinzas. Um expresso sentimento avesso à inação, à ideia de um desfecho acontecer por inércia. Afinal, a jararaca está solta, atacando como pode, e o que menos lhe importa é o sofrimento da população.


Não é nada pequeno o custo para chegar onde chegamos. Ao contrário. Nunca antes neste País, tamanho e profundo retrocesso se consuma para o insano benefício de tão poucos. Também nunca antes em nossa história, tantos, em todo o Brasil, disseram basta à minoria devassa e corrupta encastelada no poder e, como vemos a cada dia, com o propósito derradeiro e desesperado de tentar esconder suas vergonhas, seus crimes e desatinos. Não conseguirão!


A cada volta mais se caracteriza a simbiose entre o lulopetismo e uma organização criminosa sem equivalente no uso da democracia para aterradora roubalheira, que destrói a economia, as empresas, o emprego e os avanços que muito suor custaram aos brasileiros.


O Congresso Nacional tem, a partir de agora, a responsabilidade de chamar para si e acompanhar com lupa o que o lulopetismo está tramando para evitar seu último suspiro. O Congresso tem o dever de interditar as ações de um governo incapaz de governar, mas que vai tentar colocar “fogo no circo” com a ameaça, por exemplo, de queimar um terço das reservas do País em dólar. E que vai além disso, com a disposição de premiar com um Ministério um quase réu para adiar sua merecida pena - ou será que, com esse movimento, sua real intenção seria obstruir as atividades da Justiça, do Ministério Público e da Polícia Federal?


Sobra razão aos manifestantes. Os parlamentares de todas as colorações viram e ouviram o extenso clamor das ruas. Em 2013, jovens em sua maioria, disseram com clareza que era preciso mudar. Disseram o quanto sentiam a ausência de caminhos, de esperança e perspectivas, tal como o País se encontrava. Reivindicavam mudanças nas políticas públicas, reformas, melhores condições de saúde, educação, transporte. O governo fez que ouviu, mas nada mudou.


Nas eleições de 2014, o estelionato “comunicado” por um, hoje, marqueteiro preso em Curitiba, impediu a vitória da mudança. Os brasileiros não desistiram. Um ano de manifestações. Um ano de retrocesso. Um ano de governo se desintegrando.


Se as ruas precisavam falar, elas falaram. Deram a direção do caminho a seguir. Não é possível que a sociedade brasileira fique à mercê dos interesses espúrios de Dilma, do lulopetismo.


Se de Dilma e seus acólitos nada podemos esperar, nem mesmo um gesto derradeiro de renúncia, é do Congresso Nacional que esperamos uma ação urgente pelo impedimento do que já se convencionou caracterizar como “capitalismo de quadrilha”. Ou capitalismo de PT.


(*) Presidente Nacional do ITV


Artigo publicado no Blog do Noblat, em 16/03/2016

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