"Vuvuzela no Copom?", por José Serra
29 de Julho de 2015
O diretor da área externa do Banco Central, Tony Volpon, na semana passada, cometeu a grave bobagem de antecipar a analistas de mercado e à imprensa seu voto na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que começa nesta terça-feira (28).
“Eu, pessoalmente, vou votar para o aumento de juros até que a nossa projeção esteja de uma maneira satisfatória apontando para o centro da meta”, disse após evento em São Paulo, segundo o jornal “Valor Econômico”. Esse vazamento subverte o rito de definição da taxa básica de juros e deve ser condenado.
O Copom não é lugar para amantes da vuvuzela. Justificativas posteriores baseadas em teorias arcanas ou “eu quis dizer outra coisa” não cabem. No comitê, criado no governo Fernando Henrique Cardoso, a ideia é que seus membros decidam seus votos com base na exposição técnica do estafe do banco.
Os diretores devem entrar na reunião do Copom sem qualquer decisão –isso garante, em tese, que o voto do colegiado será técnico, sem influência prévia de mais ninguém. Não se trata de um formalismo. É uma das formas de garantir a independência do órgão.
Ao alardear seu voto, o diretor põe a imprensa dentro da sala do Copom. E se algum deles divergir publicamente do colega? Vão debater previamente no Jornal Nacional?
Leia a ÍNTEGRA do artigo, publicado no jornal "Folha de S.Paulo", em 28/07/2015

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