"Trapaça eleitoral", por Bruno Araújo
11 de Fevereiro de 2015

No dia 23 de janeiro de 2013, a presidente da República convocou cadeia nacional de rádio e TV para anunciar a redução da conta de luz em até 20%. O pronunciamento repercutiu como uma atitude arbitrária que tinha como objetivo apenas fazer propaganda política. O que se viu e ouviu naquela noite foi uma infeliz peça publicitária endereçada ao eleitor brasileiro.


O “merchandising” palaciano, como era de se esperar, não resistiu por muito tempo. Para sustentar sua disposição de baixar a tarifa de energia a qualquer custo, Dilma forçou as concessionárias a renovar seus contratos de concessões. As elétricas de São Paulo, Paraná e Minas Gerais, controladas por governos do PSDB, no entanto, se recusaram a assinar os novos ajustes, o que se revelou uma decisão acertada, pois a iniciativa da presidente resultou num rombo que pode aumentar a conta de luz em mais de 60% este ano.


A ideia “genial” de Dilma também desestimulou a expansão da oferta de energia no país. Como consequência, o Brasil está sob a constante ameaça de um apagão geral. O sinal já foi dado quando metade do país ficou no escuro em janeiro passado.


Infelizmente, para o país esse não é o único mico que a presidente vem pagando. Na ânsia de se reeleger, ela passou todo o período da campanha eleitoral de 2014 vendendo, de forma desleal, a ideia de que seus adversários, caso fossem eleitos, aumentariam os juros e a inflação, e que isso iria tirar a comida da mesa dos pobres.


Após a reeleição, os juros saltaram para 12,5% ao ano. Hoje, a inflação acumulada dos últimos 12 meses saltou para 7,14%. O pior é que do jeito que os preços continuam disparando, o custo de vida ao final do ano deve estar totalmente fora de controle. Enquanto isso, o crescimento econômico do país previsto para 2015 é zero.


Os trabalhadores, em particular, foram impiedosamente punidos com o estelionato eleitoral armado pelo PT.


Entre o primeiro e o segundo turno da eleição presidencial, a então candidata foi taxativa: “Tem coisas que eu não concordo como mexer nos direitos do trabalhador e não abro mão nem que a vaca tussa”.


No final de dezembro de 2014, já reeleita, Dilma editou duas medidas provisórias exatamente na contramão do que afirmou. As MPs diminuem benefícios trabalhistas e previdenciários como o abono salarial, o seguro-desemprego, a pensão por morte e o auxílio doença.


O pacotaço demonstra, ainda, um lado perverso da personalidade da presidente. É que Dilma passou toda a campanha eleitoral demonizando seus adversários ao repetir, sem o menor escrúpulo, que eles acabariam com importantes direitos trabalhistas e que ela jamais faria uma coisa desta.


Mas as maldades contra os assalariados não pararam. Em janeiro, a presidente vetou a correção de 6,5% na tabela do imposto de renda, aprovada pelo Congresso Nacional, o que constitui, de fato, um aumento de tributos para o contribuinte.


Quem depende de programas sociais, isto é, a camada mais pobre da população, também deve ficar atenta à tesoura do Planalto, uma vez que o governo já estuda cortar gastos nesta área.


Este é mais um exemplo do modo como a presidente atua. Basta lembrar que de uma maneira desonesta a então candidata do PT passou toda a campanha eleitoral garantindo que o candidato Aécio Neves iria acabar com os programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida.


As maldades, infelizmente, não param e mais aumentos estão prestes a sair do forno.  A bola da vez são novas elevações de tributos, mesmo já tendo aumentado os impostos sobre o crédito ao consumidor, combustíveis, bens importados e setor de cosméticos.


Enfim, a presidente vem enganando todo o país o tempo todo, pois ao contrário das promessas de governar com grandeza, Dilma até agora só deu como presente aos brasileiros sacos de maldades. O amontoado de trapaças usadas para ganhar a eleição, a incompetência como gestora e os intermináveis escândalos de corrupção envolvendo o seu governo, que tem no desmanche da Petrobras o seu maior exemplo, felizmente, não está deixando o atual governo impune. E a conta desse pandemônio já começa a chegar. É o que mostra pesquisa divulgada, neste final de semana, pelo Datafolha. Segundo levantamento feito pelo Instituto, para 46% da população, a presidente mentiu durante a campanha eleitoral de 2014. A consulta revela ainda que 54% dos entrevistados a consideram “falsa”.


(*) deputado federal (PSDB-PE), Líder da Minoria na Câmara


Artigo publicado no site Congresso em Foco

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