"O plano que naufragou", por Mansueto Almeida
15 de Julho de 2015
mansueto almeida (2)No dia 2 de janeiro de 2011, Nelson Barbosa deu uma entrevista ao jornalista Fernando Dantas na época do jornal o Estado de São Paulo sobre o que seria o governo Dilma. Nelson estava otimista com o que ele via como a continuidade de um processo de crescimento rápido, mais um período de queda da pobreza e redução da desigualdade de renda. Como fala a introdução da entrevista:

“Barbosa assegura que no governo Dilma o superávit primário vai subir para 3% do PIB, a inflação vai ser combatida, os juros serão determinados pelo Banco Central (BC), e não por outras áreas do governo, e o câmbio permanecerá flutuante. A queda dos juros reais para 2% ao ano em 2014, ele frisa, é uma referência, e não uma meta como a de inflação ou do superávit primário. O economista diz ainda que o próximo governo dará continuidade a uma agenda de redução dos custos tributários, financeiros e de logística, para aumentar a competitividade prejudicada pelo real forte – uma consequência, para ele, do sucesso brasileiro. Outra prioridade será melhorar a qualidade dos serviços públicos universais, como educação, saúde e segurança. Ele prevê crescimento de 5,5% nos próximos anos”

Não dá para culpar Nelson Barbosa de ter errado tanto porque vários economista de bancos privados tinham um cenário um pouco menos otimista, mas ainda muito otimista. Setor privado apostava fácil em crescimento de 4% ao ano e crescimento do investimento. O cenário pessimista para a área fiscal de vários bancos privados, por exemplo o Itaú/Unibanco, em 2011, era que o governo Dilma terminaria com um superávit primário de 2,5% do PIB.

Achava tudo isso excessivamente otimista, porque não via consistência nas ações do governo a começar pelo lançamento do Plano Brasil Maior e da maior proteção do mercado, compras públicas para saúde com margem de até 25% para estimular produção nacional e por ai vai. Mas mesmo assim diversos economistas na reunião da ANPEC de 2011 esbanjavam otimismo.

Mas a entrevista do Nelson Barbosa de janeiro de 2011 é um bom resumo para ver a difrença do que aconteceu e como era o script e, na tentativa de garantir o que estava planejado, se aprofundou a crise e os problemas. Em julho de 2013, o próprio Nelson Barbosa sai do governo pela perda de espaço e, dizem as fofocas nos corredores de Brasilia, por desentendimentos com o secretário do Tesouro Arno Augustin.

Cliquem aqui e leiam a entrevista do Nelson Barbosa do que seria o primeiro governo Dilma em janeiro de 2011.

 

 

(*) Economista

Artigo publicado no Blog do Mansueto

Comentários