"O piloto sumiu", por Terezinha Nunes
15 de Julho de 2015
terezinha-fotojoaobit-300x199“Airplane”, filme norte-americano de 1980, escolhido na época como o melhor do ano em seu estilo – comédia – foi batizado no Brasil de “Apertem os cintos- o piloto sumiu”. Protagonizado por Robert Hays e Julie Hargent, a película retratava a história de um piloto traumatizado pela guerra que é obrigado a aterrissar uma grande aeronave depois que os comandantes desmaiaram após comer comida estragada.

O pouso, recebido com palmas, só ocorreu depois de muitos episódios de pânico e de vários passageiros ficarem feridos por conta de seguidas turbulências. O momento mais difícil se deu quando os passageiros foram informados por uma aeromoça que o avião estava sem comando e era preciso encontrar alguém com experiência entre eles que pudesse, respondendo a orientações em terra, evitar a morte esperada de todos.

Com menos drama, nenhum humor mas igual incerteza, o Brasil vive hoje uma situação parecida. A presidente Dilma tropeça nas palavras, os índices econômicos aterrorizam até inexperientes especialistas e ela própria, a presidente, por incompetência para gerir a crise, falta de trato e o mínimo discernimento, parou de governar. Sumiu, como os pilotos do avião americano.

O problema é que, ao invés de um piloto, mesmo atrapalhado como se viu no filme mas capaz de assumir o comando da aeronave com firmeza – o que é fundamental em momento de pânico – o Brasil, na ausência de um gerente, está entregue a dois personagens que são muito mais bombeiros do que comandantes: o ministro da fazenda Joaquim Levy e o vice-presidente Michel Temer. Na torcida pela débâcle, os presidentes da Câmara e do Senado, Eduardo Cunha e Renan Calheiros.

E o pior é que a “presidente sumida” não se limita ao anonimato. Impedida de andar pelo país por conta da popularidade baixa que já colou no índice de inflação – 9% – tem feito viagens internacionais para mandar recado à sua equipe, gerando mais confusão como no último sábado ao dizer da Itália que não iria mudar a meta de superávit primário (1,13% do PIB) quando o ministério do planejamento aqui no Brasil falava em flexibilizá-la.

Como os passageiros do avião americano, a população em geral e os empresários em particular, vão acumulando turbulências e incerteza sobre o que virá. No caso dos cidadãos é esperar que o Governo pelo menos pare de criar uma nova calamidade a cada dia.

No caso dos empresários, por o pé no freio e torcer por uma luz no fim do túnel. Um deles, o presidente da Mercedes Benz, no Brasil, Phillipp Schiemer, acossado pela queda de 40% na venda de caminhões e de 27% na de ônibus vaticinou em entrevista há dias à Folha de São Paulo que não está fácil reverter as expectativas. “O país perdeu a previsibilidade com as mudanças nas premissas econômicas…. Você acha que alguém vai se arriscar a investir?… Estou sendo espremido de todos os lados”.

Enquanto isso, o Palácio do Planalto não fornece alternativas e nem sequer controla sua base de apoio. Dilma não conta sequer com o PT. Após obrigar a base a dar uma nota a favor do seu mandato a presidente assistiu na semana passada duas senadoras petistas, a ex-ministra Gleisi Hoffman e Ângela Portela, se ausentarem da sessão que aprovou o reajuste dos aposentados. Enquanto isso os também senadores petistas Paulo Paim e Walter Pinheiro votaram a favor do reajuste, ao contrário do que tinha sido acordado.

Os empresários não investem, o desemprego chega a 8,1%, a poupança bate recordes de retirada e ninguém quer gastar com medo do futuro. Para onde estamos indo? Esta é a pergunta que não quer calar.

O avião, infelizmente, continua a perder altura. Mas, como até o papa Francisco diz brincando que Deus é brasileiro resta aguardar um milagre. Só mesmo Deus sabe se ele ocorrerá.

(*) presidente do PSDB Mulher de Pernambuco

 

Comentários