"O petrolão sobre a rampa", por Antonio Imbassahy
11 de Fevereiro de 2015

O Brasil passa por uma série de crises, resultado da incompetência e da arrogância de um governo que colocou seus interesses acima dos da Nação: crise econômica, com inflação alta, e crescimento próximo de zero; crise energética, gerada pelas barbeiragens cometidas pela presidente Dilma, cuja propaganda era a de exímia gerente e especialista em energia, e, provavelmente a pior delas, crise de valores, retratada pela triste situação em que se encontra a Petrobras, corroída pela corrupção que se instalou e se espalhou por todas as quinas da companhia nos governos do PT.


Durante os 12 anos de administração petista, a presidente Dilma conduziu e acompanhou a vida da estatal como ministra de Minas e Energia, da Casa Civil, presidente do Conselho de Administração da Petrobras. É inacreditável que mesmo tendo acesso a informações privilegiadas não tenha tido conhecimento de nada do que acontecia na Petrobras.


Em delação premiada, dois empresários, presos na Operação Lava Jato, afirmaram ter pago pelo menos R$ 20 milhões em propina oriunda de contratos da Petrobras, ao caixa do PT. Eram contratos gerenciados pela diretoria de serviços, comandada por um apadrinhado do PT, com as benções do então chefe da Casa Civil da Presidência da República que até dias atrás morava no Complexo Penitenciário da Papuda.


Segundo a trama, o dinheiro era para abastecer o caixa do PT e financiar a campanha da candidata Dilma, em 2010. O Petrolão dava sinal de que se aproximava do Palácio do Planalto.


Agora, a Nação sofre um abalo sísmico com a revelação do ex-dirigente da Petrobras, Pedro Barusco, de que roubaram da estatal entre 150 e 200 milhões de dólares, para o PT usar nas campanhas de 2010 e 2014. É o Petrolão emitindo fortes sinais de que começa a subir a rampa do Palácio do Planalto.


É emblemático e revoltante: o ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas declarou “não haver o menor constrangimento” com a denúncia de o PT ter recebido tanto dinheiro em propina. Ou seja, nada mais constrange o governo Dilma.


Como dizia George Lichtenberg: “quando os governantes perdem a vergonha, os governados perdem o respeito”.


O país afunda numa crise econômica e moral dos nossos governantes, sem precedentes, ao ponto de a principal mandatária do país ter afirmado que se necessário faria o diabo para se manter no poder. E fez.


Mas, advirto: a paciência do povo acabou e a sociedade está atenta. Pesquisa Datafolha retrata a indignação e a perda de confiança dos brasileiros no governo. 77% dos entrevistados acreditam que Dilma tinha conhecimento da corrupção na Petrobras, 47% a consideram desonesta, 54% a denominam falsa e 50% indecisa.


Temos uma presidente pobre no pensar, uma gerente reprovada, confusa na arte da boa política e marcada pela técnica de exprimir mentiras cuidadosamente arquitetadas, e que a faz cada vez mais desacreditada.


No aniversário de 35 anos do PT, na última sexta, em Belo Horizonte, Dilma, em discurso preparado por seu marqueteiro, falou em força, oportunismo, golpismo, dissimulação, catástrofe e aventura.


Respondo: Presidente, quem tem força é o povo para resistir a tanta corrupção e hipocrisia.


Oportunismo e dissimulação é o que Vossa Excelência faz ao mentir para os brasileiros.


Catástrofe e aventura é ver o Palácio do Planalto festejando com ladrões.


Impeachment não é golpismo. Está previsto na Constituição do país. E não é a oposição que o está construindo. É a sua conduta que o constrói.


Presidente Dilma Roussef, já são 154 milhões de brasileiros que acreditam que V. Exa sabia da roubalheira na Petrobras e 120 milhões a acham mentirosa. Vox populi, vox Dei.


(*) deputado federal (PSDB-BA)

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