"O grito de alerta da indústria brasileira", por Antônio Carlos Mendes Thame
01 de Julho de 2015
Balanço divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) comprova o que nós, brasileiros, estamos sentindo na pele todos os dias: a redução drástica dos postos de trabalho. Estamos vivendo uma das piores, senão a pior crise da indústria brasileira em décadas.
A indústria completou, em março, três anos e meio de demissões, e hoje emprega o menor contingente de trabalhadores em toda a série histórica da pesquisa realizada pelo IBGE desde 2000. Em alguns setores, as dispensas de trabalhadores são realidade há mais tempo. O segmento de vestuário, por exemplo, está há quase cinco anos reduzindo o quadro de funcionários, enquanto os setores têxtil, de calçados e couro se aproximam dos quatro anos no vermelho.
Estamos passando por momentos dificílimos. O Brasil vive um processo perverso de desindustrialização. Os produtos brasileiros se tornaram cada vez mais caros. O Brasil se tornou um país onde é difícil produzir, investir e empreender. As empresas brasileiras padecem de perda de competitividade. A alta carga tributária e o total descaso com nossa infraestrutura minam nossa capacidade de competir. Além disso, a indústria brasileira enfrenta o aumento dos juros e do custo com energia elétrica.
Estudo divulgado pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) apontou que a produção industrial sofrerá o maior tombo em 2015, com um encolhimento de 4,5%. A estimativa para a economia brasileira é de retração de 1,7% neste ano, previsão ainda mais pessimista do que o esperado pelos economistas e instituições financeiras ouvidos pelo Banco Central, que foi de 0,83%.
O documento citou o “expressivo ajuste fiscal” do governo, a crise da Petrobras, o forte aumento dos preços administrados e o aperto monetário promovido pelo Banco Central como as principais causas para a forte retração prevista para este ano.
Nos últimos anos, a indústria brasileira exporta cada vez menos e importa cada vez mais. A balança comercial brasileira registrou déficit de US$ 50 milhões no acumulado das quatro primeiras semanas de abril, segundo dados divulgados pelo próprio Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). No acumulado do ano, o déficit da balança comercial ficou em mais de US$ 5 bilhões.
O fato inegável é que o atual executivo federal adotou uma política econômica equivocada. O resultado é exatamente este: investimentos baixos, juros e déficit externo altos, inflação acima da meta, desindustrialização. A situação poderia ser diferente, se houvessem sido feitas reformas e adotadas medidas corretas nos momentos propícios.
Para reverter esse quadro, é preciso, acima de tudo, diminuir o “custo Brasil”, para aumentar a competitividade dos nossos produtos. Além disso, é preciso ter uma performance completamente diferente no trato com outros países. É preciso recuperar a credibilidade e construir um ambiente que estimule os investimentos. É necessário reduzir o custo de se produzir aqui, reduzir a carga tributária e praticar uma taxa de câmbio competitiva. É urgente, sobretudo, que o governo federal reequilibre suas contas, saiba diminuir os gastos em custeio da máquina pública, para poder aumentar os investimentos em infraestrutura.
Sem esse olhar ampliado, sem ações mais contundentes por parte do governo, nossa indústria, nossa economia, nosso país entrarão em uma zona ainda mais nebulosa, que dificultará sobremaneira o sucesso do projeto de recuperação de que tanto precisamos.
(*) Deputado federal pelo PSDB-SP, professor licenciado do Departamento de Economia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz  e presidente do capítulo brasileiro da Organização Global de Parlamentares contra a Corrupção (GOPAC)

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