"O bom debate", por Solange Jurema
22 de Julho de 2015
solange-jurema-foto-george-gianniO IXº Encontro Nacional das Mulheres e a 12ª Convenção Nacional do PSDB, realizados em Brasília no começo do mês de julho, foram emblemáticos ao permitir maior discussão partidária sobre a presença da mulher nos cargos de direção e na luta geral da sociedade brasileira.

Os dois eventos, resultaram em decisões importantes para o cotidiano das tucanas no PSDB, como a concessão de maior espaço no Diretório e na Executiva nacionais do partido, uma conquista significativa para a organização do PSDB-Mulher, como já tratado anteriormente em artigo publicado neste espaço.

Naturalmente, as conquistas não caíram do céu. São fruto do trabalho do PSDB-Mulher, que continuará em sua incessante postura de cobrar mais, especialmente na maneira como os homens e as mulheres são escolhidos internamente na vida partidária para alcançar candidaturas.

Na discussão interna, especialmente com alguns importantes dirigentes nacionais tucanos, pudemos observar alguns equívocos que merecem ser tratados de forma mais ampla, socializando o debate e explicitando nossa visão.

Não há dúvida que um país é mais democrático se abre a mais possibilidades quando suas mulheres têm acesso, de fato, à estrutura de Poder. Em outras palavras, se forem empoderadas, como demonstram trabalhos internacionais de instituições sérias como Organização das Nações Unidas (ONU).

O Brasil, segundo a sociedade de pesquisa do “The Economist” é uma “democracia imperfeita” e, segundo levantamento da própria ONU, ocupa a 117º posição entre 138 nações no ranking que mede a participação das mulheres no Parlamento, com apenas 9% na Câmara dos Deputados e 16% no Senado Federal.

A rigor, esses números são conhecidos, mas devem se repetidos para rebater os argumentos apresentados por alguns tucanos de que não há necessidade de ampliar a presença feminina nos parlamentos nacionais.

Como não lutar por mais espaço se na vida real, no cotidiano dos mais de 200 milhões de brasileiros, são as mulheres que cuidam sozinhas de 40% dos lares brasileiros, quase metade do mercado de trabalho e compõem a maioria da população e do eleitorado?

Desconhecer esse disparate, a distância entre a presença da brasileira na vida politica, econômica e social do país e sua presença insignificante (do ponto de vista quantitativo) nos parlamentos nacionais é tentar esconder o sol com a peneira.

Na 12ª Convenção Nacional, repito, o partido deu um importantíssimo passo na direção de atender à demanda, não só das tucanas, mas de todas as mulheres. O partido se sintonizou com essa realidade e diminuiu a distância entre o papel real, concreto da mulher no Brasil e sua representação no parlamento.

Evidentemente, isso não é suficiente e nem mudará a realidade de uma hora para outras. Mas deflagrará um processo irreversível de luta para que as tucanas consigam mais espaço nas listas de candidatos do partido nas próximas eleições, mas com reais condições de vitória.

Da maneira como ocorrem as escolhas partidárias – e isso não é primazia só do PSDB –, candidatos de gêneros diferentes recebem tratamentos diferentes, o que fere o princípio da isonomia.

As regras não escritas nos partidos – sem exceção – são as de conceder quase nenhum espaço para a mulher nas inserções publicitárias e programas partidários e menos ainda recursos financeiros para bancar suas despesas eleitorais.

Esse é o quadro real e qualquer outro argumento se torna falacioso porque quem vivencia a vida partidária brasileira sabe que é assim.

As conquistas anunciadas pelo nosso presidente Aécio Neves na 12ª Convenção Nacional do partido são, de algum modo, o reconhecimento dessa triste realidade, porém, uma mudança de postura desde a base é fundamental para que a renovação aconteça de fato. Não nos esqueçamos: um PSDB igualitário e mais democrático pode mudar o Brasil.
Suas mulheres lutarão com ele!

Presidente do Secretariado Nacional da Mulher-PSDB

 

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