"Mulheres negras são as que mais sofrem com a desigualdade"
09 de Março de 2015

Neste domingo (08) em que comemora-se o Dia Internacional da Mulher, ainda em 2015 a sociedade se vê em uma situação desconfortável quando o assunto é a igualdade de gênero. As mulheres brasileiras conquistaram diversas vitórias ao longo das últimas décadas, e hoje têm sete anos a mais de média de vida que os homens, são maioria da população e do eleitorado.


Entretanto, apenas 10% do congresso é formado por mulheres, e elas continuam mal representadas nas ciências exatas e na liderança de grupos de pesquisa. Continuam sofrendo com a segregação ocupacional, a dupla jornada de trabalho e com a violência doméstica.


Para a mulher negra, a situação é ainda pior. São elas que trabalham sem carteira assinada e têm salário mensal 57,6% menor que as trabalhadoras brancas, amarelas e indígenas. A média de rendimentos das brasileiras negras é de R$ 625 frente aos R$ 985 ganhos pelas não negras, segundo informações contidas no Anuário das Mulheres Empreendedoras e Trabalhadoras em Micro e Pequenas Empresas, elaborado  pelo Sebrae e Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) entre 2002 e 2012.


Em dezembro do ano passado, Luislinda Valois, Presidente do Tucanafro Bahia, lamentou a situação da mulher negra no Brasil. “Dos 39 ministros, temos apenas uma negra.  Você entra em uma multinacional, não se vê uma negra ocupando cargo de chefia. Então nós temos que mudar, não pode mais ficar assim. Toda vez que eu posso eu digo: se o direito é meu, eu vou. A porta pode estar fechada, mas meto os pés e entro. Por que para nós negros, e principalmente nós mulheres, é tudo mais difícil.”


A violência é outro grave problema. O total de negras mortas corresponde a 61% das mulheres assassinadas. Estudo preliminar do IPEA estima que, entre 2009 e 2011, o Brasil registrou 16,9 mil feminicídios, ou seja, “mortes de mulheres por conflito de gênero”, especialmente em casos de agressão perpetrada por parceiros íntimos. Esse número indica uma taxa de 5,8 casos para cada grupo de 100 mil mulheres.


Juvenal Araújo, Presidente do Tucanafro Brasil, diz esperar que o Governo Federal tome ações mais efetivas para diminuir esta desigualdade racial e a de gênero. “Ser negro no Brasil não é fácil, o que dizer, então, para a mulher negra? Ela é a que mais sofre, pelo preconceito, falta de oportunidade. Para uma mulher negra ser bem sucedida no Brasil ela deve derrubar mil e um obstáculos. É necessário que sejam criadas políticas públicas eficientes para que este problema acabe,” finaliza.

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