"Marketing politico e lobby: ajuda ou atrapalha a democracia?", por Mansueto Almeida
01 de Junho de 2015
No ano passado tivermos uma campanha eleitoral para presidente na qual o grupo de marqueteiros da candidata eleita fez uso eficiente do medo da volta ao passado, supostas mudanças contras os trabalhadores (mudanças de direitos trabalhista) e contra empresários (aumento dos juros e fim do crédito subsidiado) que ocorreriam se o PT não fosse eleito, e ainda abusou da tática de desconstrução da candidata Marina Silva da Rede/PSB, que seria ligada aos banqueiros na propaganda enganosa do PT.

Apesar dos excessos, tudo isso foi feito de acordo com as regras do jogo, por mais imorais e condenáveis que sejam. O que fazer depois das eleições seria problema para depois das eleições, mas antes havia uma eleição a ser ganha e para isso, a propaganda política estava disposta a tudo, até usar a propaganda enganosa da comida que desapareceria da mesas dos mais pobres e que os ricos seriam agraciados com mais recursos para seus bolsos caso o PT não fosse eleito.

Esse tipo de propaganda destrutiva não é algo novo. Esse tipo de propaganda teve origem na década de 1930 no estado da Califórnia nos EUA com Clem Whitaker and Leone Baxter, quando fundaram a Campaigns, Inc.

Ontem li um artigo interessante da revista The New Yorker da edição de setembro de 2012 – The Lie factory: how politics became a business– que mostra todo o histórico Clem Whitaker and Leone Baxter na destruição da reputação de políticos e na campanha milionária contra a proposta de um sistema de seguro saúde universal e obrigatório, uma politica proposta incialmente pelo governador da Califórnia, Earl Warren, in 1945 com amplo apoio popular e depois pelo presidente Harry Truman no mesmo ano.

O que parecia ser um vitória certa de uma boa proposta não passou na Califórnia e nem no Congresso americano porque Clem Whitaker and Leone Baxter, contratados pela the American Medical Association (A.M.A), conseguiram vender para o público americano que o seguro saúde universal e obrigatório era uma proposta socialista que obrigava o cidadão a visitar um médico do setor público.

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Pare quem se interessar vale a pena ler o artigo –The Lie factory: how politics became a business– que mostra com detalhes estratégias eleitorais para ganhar eleições ou mudar a opinião pública sobre determinados temas sem ter que recorrer ao debate profundo de ideias, mas sim por meio do uso eficiente de slogans fáceis que não precisam levar o eleitor a pensar, destruição do adversário com a utilização de declarações fora do contexto que foram originalmente dadas, etc.

Se isso ocorre nos EUA desde a década de 1930, o que fazer para mudar esse tipo de prática em democracias em pleno sec. XXI? Será que esse tipo de marketing politico com o uso de frases fora do contexto, destruição do adversário, etc. continuará a ser uma estratégia efetiva para ganhar eleições?

Será que a demonização de tópicos como terceirização, privatização, abertura comercial, etc. pela propaganda política continuará nos desviar de um debate sério sobre esses temas? Será que as redes sociais poderiam informar melhor ou apenas reproduzem a mesma campanha de desinformação que antes se dava por outros meios? Não tenho resposta.

(Texto publicado no Blog do Mansueto)

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