“Um novo caminho de integração”, por Antonio Anastasia
25 de Maio de 2015
Anastasia

Por representação do Senado Federal, tive a honra de chefiar a delegação do Congresso brasileiro na XXX Assembleia Geral do Parlamento Latino-americano, conhecido como Parlatino, sediado no Panamá. O grande objetivo desta instituição é a integração dos parlamentos latino-americanos com a proposição de medidas legislativas que possam colaborar para o desenvolvimento social e econômico de cada nação de nosso continente.

O ideal original da integração da América Latina decorre do esforço de Simón Bolívar, no famoso Congresso do Panamá, ocorrido no início do século XIX e, desde então, por diversas iniciativas de muitas relevantes lideranças do continente.

O Parlatino, que já teve sua sede em São Paulo, reuniu-se para a eleição de sua nova mesa diretora e para o debate sobre os rumos do desenvolvimento e da integração.

O fulcro das discussões centrou-se no tema do implemento da infraestrutura para permitir o progresso das nações, oferecendo o Panamá, país relativamente jovem, um exemplo vibrante de acelerada evolução econômica e social.

E o mais interessante neste debate, a servir de vivo exemplo para o Brasil, é a ativa participação do setor privado neste esforço de infraestrutura, tomando como exemplo a própria ampliação do vital Canal do Panamá, forma de integração interoceânica essencial para o nosso continente.

Deste modo, a cada dia, observa-se, mais e mais, como a alocação de recursos pelo setor privado torna-se imprescindível para as obras de infraestrutura necessárias à melhoria da produtividade nacional e da redução do nosso custo interno.

Reconhecimento tardio
Ferrovias, rodovias, portos, aeroportos, silos, entre outros, são meios físicos para se alcançar o pleno desenvolvimento. Ademais, a construção destas obras, por si só, já representa um grande avanço, pelo incremento aportado no PIB, em virtude dos investimentos para a respectiva implementação.

Interessante observar, em ambiente político tão diverso, com representações parlamentares de vários matizes ideológicos, o reconhecimento quase unânime do papel preponderante e necessário do setor privado para os investimentos. Neste caminho, não adianta a discussão puramente ideológica. Pois todos os países já perceberam que com fontes de seus próprios recursos públicos, oriundos de tributos, não haverá o necessário lastro para o investimento demandado.

Assim as figuras de PPP – parcerias público-privadas e de concessões –, em especial, tornam-se a coqueluche de todo o continente. Somente lamentamos que este reconhecimento tenha vindo tão tarde, com tanto tempo desperdiçado. Se esta opção tivesse sido adotada anos atrás, à semelhança das nações asiáticas, teríamos hoje um outro patamar de desenvolvimento continental.

O Panamá aprendeu bem a lição e hoje é bom exemplo. Que este seu esforço sirva de modelo para as demais nações, inclusive o Brasil, e possa ser a infraestrutura uma forma moderna de integração latino-americana.

(*) Senador pelo PSDB-MG

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