“O PT e a radicalização da crise”, por Luiz Carlos Hauly
17 de Agosto de 2015
De todos os desatinos dos petistas para salvar o que ainda resta do desgoverno Dilma e, portanto, preservar o partido no comando da Nação (e dos cofres públicos), o mais grave ocorreu na quinta-feira, 13, quando o presidente da CUT, Vagner Freitas, incitou à luta armada para impedir o eventual impeachment da presidente.

O sindicalista convocou os movimentos sociais – referia-se, é claro, àqueles financiados pelo governo, direta ou indiretamente – a irem “à rua, entrincheirados, com armas na mão, se tentarem derrubar a presidente”.
O comentário não foi feito num botequim ou em alguma sede da central sindical – foi feito no Palácio do Planalto e na presença de Dilma!

Vagner tentou, em sua conta do twitter, negar que havia dito o que disse – alegando que se referia a uma ampla mobilização popular -, mas o estrago foi feito, e é irreversível. Pode ser atenuado se ele pedir desculpas e se retratar. Esperar tal gesto de um petista, contudo, é o mesmo que acreditar em duendes e Papai Noel.

O PT está explorando ao máximo o lamentável episódio da detonação de um petardo na calçada do Instituto Lula, em São Paulo, que provocou um pequeno furo na porta da garagem. Ninguém, nem a polícia, botou fé no “atentado”. Mas o PT não pode perder a chance de faturar em cima, convocando manifestações contra a “intolerância” e, como sempre, fazendo-se de vítima. O partido quer que a Polícia Federal investigue o “atentado”, mas o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo não se entusiasma com a ideia. Deve temer que uma investigação série conclua que foi armação…

Lula, Dilma & Cia. alardeiam que a adesão crescente dos brasileiros ao impeachment (66%, segundo o Datafolha divulgado há poucos dias), a disposição de alguns parlamentares de atender a esse clamor e os casos cabeludos em análise no TCU (“pedaladas fiscais” que podem caracterizar crime de improbidade) e TSE (abuso de poder econômico, entre outros crimes eleitorais) configuram uma “conspiração golpista”. O pretenso atentado ao Instituto Lula faria parte, portanto, dessa associação criminosa.

Ora, a incompetência gerencial e as mentiras a que Dilma recorreu para se reeleger é que fecundaram o desejo da população de abreviar seu mandato. Os parlamentares se mobilizam em resposta à população, dispondo, para isso, do instrumento constitucional do impeachment, que poderá ser utilizado quando e se houver acusação grave contra a presidente. E os tribunais de contas e eleitoral cumprem o dever de verificar a legalidade das ações de Dilma, a presidente e a candidata.

Golpe, de fato, é o que propôs o petista que comanda a maior central sindical do país. Seu apelo afronta o artigo 5º da Constituição, que considera “crime inafiançável (…) a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático”. E também a Lei de Segurança Nacional (7.170/1983), que pune, com detenção de um a quatro anos, quem “fizer em público propaganda de (…) processos violentos ou ilegais para alteração da ordem política ou social”.

Evitar pela força que se cumpra a Constituição é o quê, senão atentar contra o Estado democrático?

É preocupante o silêncio de Lula, da presidente e do PT sobre a manifestação do companheiro sindicalista. Silêncio que denota que ele não está só.

(*) Deputado federal pelo PSDB-PR

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