“O ajuste fiscal da Dilma é uma licença para demitir”, por Nilson Leitão
29 de Junho de 2015
Não por acaso, o desemprego passou para o terceiro lugar no ranking das preocupações dos brasileiros, atrás da saúde e da corrupção, e 73% acreditam que a perda de postos de trabalho irá aumentar, segundo o Datafolha. Nos últimos meses, o país assiste a uma preocupante escalada no número de fechamento de vagas: só em maio foram 116 mil postos com carteira assinada e 244 mil nos últimos cinco meses, o pior desempenho dos últimos 13 anos. São dados do Ministério do Trabalho.
Esse quadro é um reflexo da crise que foi gestada ao longo dos últimos 13 anos de governos do PT, de Lula e Dilma, sob o bojo da incompetência em administrar o país e do oportunismo de apenas tirar proveito enquanto as coisas iam bem. Não aproveitaram o bom momento da economia mundial, antes da crise de 2009, para promover as reformas necessárias, estimular os investimentos, qualificar os trabalhadores e aumentar a produtividade. Em tempos de sol, troca-se o telhado.
E agora, quando a crise econômica se aprofunda, a presidente Dilma abriu o seu saco de maldades contra os brasileiros – aumentou impostos, os preços dos combustíveis e energia elétrica e cortou direitos trabalhistas. Tudo isso no momento em que os brasileiros são profundamente penalizados pela inflação – que deve fechar o ano perto de 9% –, pelo aumento dos juros – que já subiram seis vezes seguidas desde que a presidente foi reeleita, e vivem o pesadelo do desemprego. Pura crueldade.
Depois das duas Medidas Provisórias que reduziram direitos trabalhistas, a presidente Dilma quer que o Congresso aprove mais um golpe contra a sociedade: o projeto 863/2015 dobra a tributação de empresas e anula a desoneração que foi concedida pelo mesmo governo, tempos atrás, para estimular a geração de empregos. Trata-se de uma “reoneração” – aumento de impostos – que, na crise em que o país está, é um estímulo à demissão.
A Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) estima que, se aprovada, a “reoneração” irá provocar a demissão de 150 mil trabalhadores até o final deste ano. Na construção civil, só em São Paulo outros 180 mil devem chegar ao Natal sem seus empregos. Fora os demais setores atingidos. Mais de 50.
Ao defender o ajuste fiscal alegando que ele é necessário para o país crescer, a presidente Dilma conta mais uma de suas mentiras. Se estivesse mesmo empenhada em fazer ajuste, ela teria feito cortes em sua gigante, cara e ineficiente máquina administrativa, com seus 39 ministérios e mais de 24 mil cargos comissionados. Mas, nenhum ministério ou cargo foi cortado. Prefere empurrar a conta para os todos os brasileiros.
O PSDB se posicionou contra as duas Medidas Provisórias que reduziram os direitos trabalhistas e agirá da mesma forma em relação à “reoneração”. Temos buscado meios para amenizar os efeitos da crise e o sofrimento dos brasileiros. Na semana passada, por exemplo, conseguimos aprovar emenda que isenta o óleo diesel de PIS/Cofins e representa uma economia de R$ 0,20 por litro do combustível. A medida irá baratear o frete e, consequentemente, o preço final de uma série de produtos, como alimentos, que sobem mais do que a inflação, além do transporte público, cujo aumento foi o estopim das manifestações de junho de 2013.
O trabalhador brasileiro não pode pagar a conta da incompetência e da falta de planejamento dos governos do PT, de Lula e Dilma, que são os pais desta crise. Se não sabem governar e se foram eleitos com base em mentiras, os brasileiros não têm nada a ver com isso e exigem mudanças. A mesma pesquisa Datafolha mostra que a reprovação da presidente atingiu 65% e ela, Lula e o PT estão, nas palavras do próprio Lula, abaixo do volume morto. Neste ponto, temos de concordar com ele.
(*) Deputado Federal (PSDB-MT).
Artigo publicado no Fato OnLine

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