“Muito a lutar, pouco a comemorar”, por Juvenal Araújo
21 de Novembro de 2014

O Dia Nacional da Consciência Negra é uma data em referência a Zumbi dos Palmares, líder revolucionário do quilombo dos Palmares, o maior dos quilombos no período colonial.


Segundo relatos históricos, era o local onde mais de 20 mil escravos refugiados foram morar após fugirem das grandes fazendas. Por sua ousadia ao desafiar os grandes opressores, Zumbi acabou sendo assassinado pelas tropas coloniais em 20 de novembro de 1695. As tropas atacavam os quilombos com o objetivo de intimidar os fugitivos e assim evitar novas fugas.


O tempo passou, mas o nome de Zumbi ficou marcado. A partir da expressividade de sua liderança, ficou definido que o dia da consciência negra iria coincidir com o dia de sua morte. A data serve hoje como um estímulo à reflexão sobre a situação do afrodescendente no Brasil, e é necessário entendermos o contexto histórico para pensarmos em novas formas de construir nosso presente e futuro.


Temos muito a fazer para eliminarmos o racismo. Em 2014 foram inúmeros os casos de preconceito racial que tiveram amplo destaque na mídia. A violência continua a assustar muito, especialmente os negros. No ano passado foram 56 mil assassinatos. Entre os jovens, foram 30 mil e, destes, 77% eram negros.


O atual governo é bom na propaganda, mas estão há 12 anos no poder e o problema da violência só piora. Entre 2002 e 2012, o índice de assassinato de negros subiu 39%. Vão continuar se isentando desta responsabilidade até quando? Não vão, ao menos, sinalizar uma mudança? Não aceitamos mais esta situação.


É necessário promovermos a valorização da negritude e o fim da hierarquização social, cultural e estética de brancos sobre negros. Esta é uma missão árdua, que só será possível com a parceria entre vários atores, o que não existe hoje.


A realidade que sonhamos, em que possamos realmente ter igualdade entre brancos e negros, só será alcançada pelo protagonismo do negro na sociedade e pela conscientização do branco, para que ele mesmo entenda que sempre foi privilegiado pela segregação racial. Dessa forma, a mudança de postura é essencial para o fim do racismo.


Não podemos nem pensar em estabelecer competitividade entre negros e não negros – como fazem alguns movimentos e partidos, mas sim conscientizar todos sobre o contexto histórico que explica a desigualdade racial existente hoje. Não há por que dividir, é necessário nos unirmos para então termos uma sociedade mais justa e próspera.


Como diz o nosso lema, esta luta não é só do negro, é de todos! Que nos próximos anos tenhamos mais a comemorar!


*Do portal do Tucanafro-Brasil

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