“Fantasia governista e a vida real”, por Solange Jurema
30 de Dezembro de 2014

À medida que o ano termina, em que novas pesquisas e números aparecem, fica mais evidente a enorme distância entre o discurso triunfalista do governo petista de Dilma Rousseff e a dura realidade vivida pelos brasileiros.


Da situação econômica sob controle, os gastos públicos enquadrados, a inflação dentro das metas – apregoadas na campanha eleitoral – restam amudança da Lei de Responsabilidade Fiscal, a inflação disparando e um “pibinho” vergonhoso, que desmentem o mundo de fantasia construído pela candidata petista para enganar o eleitorado brasileiro.


Vários dados pontuais da Síntese de Indicadores Sociais divulgados pelo IBGE, que compara indicadores de 2004 com 2013, revelam que o Brasil ainda é  muito desigual e abriga injustiças e situações sociais, econômicas e de gênero absurdas.


Na área de Educação, apesar do acesso maior da população ao ensino superior, há ainda um enorme atraso escolar e, principalmente, o abandono das salas de aulas das jovens que tem filho – apenas 28% das que são mães estudam para um total de 88% das meninas sem filho que continuam a frequentar as escolas.


Ou seja, a maternidade precoce empurra a jovem a sair do sistema educacional e o Estado não tem qualquer tipo de política pública para pelo menos minimizar esse fenômeno que pune quem mais precisa se qualificar na vida, inclusive para amparar sua cria.


A Síntese de Indicadores Sociais do IBGE aponta também para outra injustiça social que atinge as jovens mulheres brasileiras. Quando a pesquisa se debruça para aferir a situação dos adolescentes entre 15 e 29 anos que nem estudam nem trabalham, os “nem-nem”, a situação da mulher é mais perversa, se comparada com as dos homens.


Dos quase 10 milhões de brasileiros enquadrados nesse contexto de vida, quase 70% são mulheres.  Nada menos do que 57% delas tem filho e 89% delas trabalhavam em casa em afazeres domésticos.


O perfil básico retirado da pesquisa fala por si próprio e aponta para uma fotografia reveladora: a de uma mulher, nordestina, pobre e mãe.


Na área social aparece outro problema que o Brasil precisará enfrentar:  cresce o número de famílias que vivem à custa do Estado, seja do Bolsa Família, do Beneficio de Prestação Continuada para os deficientes, os mais pobres, e as bolsas estaduais.


Em 2013, 37,5% dos rendimentos das famílias com renda per capita de até 170 reais vem desse apoio público, bem superior aos 20% atestados em 2004 – ou seja, praticamente dobrou. Consequentemente, houve uma participação menor da renda do trabalho dessas famílias, que caiu de 76% para 72% do total.


Tanta presença estatal, sem a correta perspectiva de reinserção desses programas, nem a falsa propaganda governamental não impediram que o IBGE constatasse, infelizmente, que cerca de 7 milhões de brasileiros ainda passaram fome no ano passado, num país tão rico e abundante.


É um número devastador e que envergonha o Brasil.


Se fosse sério, esse governo trabalharia mais no sentido de formular e executar políticas publicas eficientes ao invés de investir 5,5 bilhões de reais em propaganda enganosa nos últimos quatro anos.


(*) Presidente do PSDB Mulher

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