“Cotas Legislativas de Gênero: esforço recompensado”, por Thelma de Oliveira
27 de Agosto de 2015
Em 16 de junho de 2015 a Câmara dos Deputados impôs às mulheres e à sociedade brasileira uma derrota acachapante, ao rejeitar por 293 votos a favor e 101 contra a proposta de emenda constitucional que estabelecia um percentual mínimo de gênero nas representações legislativas em todos os níveis federativos do país.

O dia seguinte foi de luto e desesperança para a maioria de nós, nunca para a presidente do PSDB Mulher Nacional. Feminista de primeira hora, forjada nos embates de meados do século XX, Solange Jurema negou-se a admitir a derrota, pesquisou a criação das cotas de inclusão nos países europeus e seus efeitos benéficos nas políticas públicas e na economia dos mesmos.

Disparou editoriais e e-mails para as bancadas federais tucanas na luta por um debate que mostrasse aos políticos que abrir espaço às mulheres beneficia a todos.

Confrontada, trouxe mais dados e argumentos, jamais se rendeu, nunca deu por vencida uma luta que sabe ser justa.
No momento em que soube que o Senado Federal colocaria em pauta a PEC 98/2015 – aprovada na noite de terça-feira (25), com apenas sete votos contrários e nenhuma abstenção -, tratando das cotas de gênero, Solange enviou aos senadores da bancada tucana uma correspondência em que explicava os motivos que tornam indispensável a adoção de mecanismos de inclusão de mulheres na política nacional.

Parece ter funcionado, a maioria de nossa bancada no Senado votou a favor da aprovação, em primeiro turno, da proposta em tramitação. Apesar de ainda ter que passar por um segundo turno de discussão no Senado Federal, tudo indica que as cotas serão aprovadas, graças à liderança de mulheres fortes e decididas como Solange.

A foto que ilustra este artigo é de Boudica, rainha celta por direito próprio – não por casamento – do século I, que liderou todas as tribos da Britânia contra o Império Romano e por muito pouco não o expulsou da ilha. Ela está aí para nos lembrar de que o podersempre esteve em nós, é intrínseco, não cabe a homem algum nos conceder ou negar nada. Nascemos com ele.

Parabéns, Solange, obrigada por mostrar o caminho. A votação acontecer às vésperas do Dia Mundial da Igualdade da Mulher, comemorado neste 26 de agosto, não foi coincidência. Mostra que estamos no rumo correto, sempre seguindo seus passos.

(*) vice-presidente do Secretariado Nacional da Mulher/PSDB

 

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