“Avaliação do governo e desempenho da economia”, por Marcus Pestana
05 de Agosto de 2015
As relações de causa e efeito entre economia e política sempre deram margem a enorme polêmica. Mas todos convergem para o indissolúvel entrelaçamento entre política e economia. Marx dizia que “o modo de produção da vida material condiciona, em geral, o processo social, político e espiritual da vida”. É verdade que apenas a vontade política não move montanhas. Mas, às vezes, potencialidades econômicas são abortadas por equívocos que brotam da política. A legitimação de líderes, partidos e governos depende, em última análise, do bem-estar que a ação política produz para as pessoas; portanto, do desempenho da economia.
Na última pesquisa CNT/MDA, 70,9% dos brasileiros desaprovam o governo petista. Apenas 7,7% o aprovam; 62,8% são a favor do afastamento da presidente. Por trás do repúdio ao governo Dilma está a percepção de um estelionato eleitoral em que promessas foram convertidas em mentiras. Soma-se a isso a intolerância com a corrupção, desnudada dia após dia pela Lava Jato. Mas a base de tudo é a profunda crise econômica que projeta um futuro nada promissor para o Brasil. Nas últimas semanas, uma enxurrada de notícias ruins invadiu as páginas dos jornais.
Soubemos, por exemplo, que o Brasil despencou no “Atlas da Complexidade Econômica”, publicado por Harvard, e ocupa a 53ª posição global. Isso traduz nossa “marcha forçada” para o atraso e para um modelo primário exportador tipo o que havia no pré-1930. A indústria brasileira afunda na falta de competitividade e no baixo teor de inovação. Para confirmar essa trágica tendência, a prévia do desempenho da economia nos cinco meses iniciais de 2015 mostra um encolhimento do PIB em 2,6% e da indústria em quase 9%. O desemprego deve bater na casa dos 10% até o fim do ano.
No front fiscal, surgiu uma sinalização preocupante. O superávit primário no primeiro semestre será próximo de zero. Isso num país que fechou 2014 com um déficit nominal de 6,7%. E o Brasil ameaça inovar com uma técnica onde “o rabo abana o cachorro”, ou seja, se não se consegue cumprir a meta fiscal, em vez de tomar atitudes para perseguir o limite fixado, muda-se a meta.
Já se projeta crescimento negativo também em 2016. Nenhum vetor, exceto o agronegócio, aponta para a retomada. Os investimentos públicos e privados estão em queda, o consumo das famílias e do governo, idem, o comércio exterior assiste o despencar dos preços das commodities, os juros estratosféricos inibem a reanimação, as agências de rating ameaçam rebaixar o Brasil, a confiança no governo do PT é nula.
Dilma, Lula e o PT têm que descobrir os fundamentos da economia capitalista para entender que quem puxa o desenvolvimento são os investimentos, que só ocorrem num ambiente institucional saudável, longe da corrupção, do patrimonialismo e de bruxarias intervencionistas (vide setor elétrico). Previsibilidade, a partir de regras estáveis e instituições sólidas, é imprescindível. Mas Dilma, Lula e o PT fizeram tudo ao contrário. E as futuras gerações pagarão uma conta pesada.

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