"Insolvência política", por José Aníbal
24 de Junho de 2015
A crise institucional avança. O governo perdeu o rumo. O que ainda resta de autoridade política no Palácio do Planalto emana da vice-presidência da República. Michel Temer tem dado um exemplo de sensatez num momento de insolvência política no núcleo do poder.
Pegue o exemplo do TCU. A corte deu um ultimato à presidente devido aos atentados contra a Lei de Responsabilidade Fiscal. Daí, o ex-secretário do Tesouro confessa o desvio e se oferece para assumir a culpa. Então vem à tona que a fraude contábil continua em vigor e que o rombo nos bancos públicos chega a 60 bilhões de reais.
Some-se a esse valor os 100 bilhões enterrados com as asneiras criminosas cometidas no setor elétrico. Mais 50 bilhões com má gestão e corrupção na Petrobras. Junte com os aditivos de Belo Monte, Jirau, Santo Antônio, ferrovia Norte-sul, Transnordestina, transposição do São Francisco, obras da Copa etc. O PT conseguiu quebrar o Brasil.
A estimativa de inflação para 2015 foi de 6,6% para 9%. A expectativa de recuo na economia foi de 0,5% para até 2% do PIB. O desemprego caminha para 10%. Cada ponto percentual de aumento nos juros injeta 30 bilhões na dívida pública. O investidor fugiu e o risco de perder o grau de investimento é real. E o governo, cadê?
O ministro-chefe da Casa Civil se ocupa de arquitetar rasteiras no vice-presidente. A base aliada só se une para derrotar o Planalto no Congresso. O PT rosna contra Joaquim Levy e aplaude João Vaccari Neto. Dos 38 ministérios não sai uma única ideia aproveitável. E Lula ridiculariza e abastarda a presidente Dilma sempre que pode. Como é possível?
O eleitor, incrédulo, tenta em vão entender o que aconteceu com o seu voto. Onde buscar alento nessa hora? Dilma insiste que a culpa é da crise internacional. O PT vê as digitais das elites por todos os lados. Lula sataniza a imprensa e mesmo Fernando Haddad, esse incapaz, se sente à vontade para hostilizar paulistanos insatisfeitos com a sua gestão.
Se não bastasse o caos político, a ruína econômica e a roubalheira, nossa presidente, uma vez confrontada com a hostilidade de bandoleiros bolivarianos contra uma comitiva do Senado brasileiro, se deixou rebaixar diante de um regime que mantém presos políticos a partir de delações arrancadas sob tortura. É inacreditável.
Dilma Rousseff caminha a passos largos para ocupar os rodapés da história do Brasil. Seu desempenho pessoal é tão medíocre que mesmo o antigo fiador, o cada vez mais enrolado Lula da Silva, faz o diabo para convencer a todos de que não tem mais nada a ver com isso. Como dizia Brizola, está costeando o alambrado. Vai pular a cerca? Afinal, Dilma não tem mais respaldo de quase ninguém.
A impressão que fica é de que Dilma, nascida para política por meio de um truque publicitário, confiava que sempre haveria alguém para segurá-la nos momentos de aperto. Deserdada por Lula, abandonada pelo partido e rejeitada pelo povo, Dilma é o rosto da própria ilegitimidade original: como virar estadista, se nasceu para ser poste?
(*) Ex-deputado federal, suplente de Senador por São Paulo
Artigo publicado no Blog do Noblat, em 24/06/2015

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