"Inflação sem rédeas", por Arthur Virgílio Bisneto
13 de Abril de 2015

A incapacidade do atual governo de domar a inflação está cada dia mais evidente. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, no último dia 8, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (Ipca), que é o indicador oficial de inflação, e o resultado só demonstra quanto os preços estão cada vez mais fora de controle.


A inflação de março apresentou variação elevada de 1,32%, sendo esse o maior índice mensal desde fevereiro de 2003. Nos três primeiros meses de 2015, o índice acumulado já atinge 3,83%, que também é a maior taxa para um primeiro trimestre desde o ano citado. Por fim, a inflação acumulada nos últimos doze meses já alcançou 8,13%, a maior desde dezembro de 2003.


Esse descontrole com a inflação vem demonstrando dia após dia a inabilidade do governo em elaborar e implementar uma política econômica, que de fato tenha impacto positivo na redução da inflação. O remédio tem sido o aumento da taxa de juros e, por hora, nada de refletir na redução da inflação.


Nos quatro primeiros anos do governo Dilma, por exemplo, em nenhum momento o centro da meta foi alcançado, sendo os percentuais observados sempre mais próximos do teto da meta (6,5%) do que do centro (4,5%). Fica uma impressão de que o governo assumiu o valor máximo como a meta, o que é lamentável e muito prejudicial à população.


A população brasileira sofre amplamente com esse descontrole inflacionário. Primeiro porque a inflação mais alta corrói a renda do trabalhador, diminuindo assim o seu poder de compra. Segundo, por conta de que aumentando a taxa de juros para tentar controlar a inflação (foi elevada para 12,75% a.a.), o governo torna o crédito mais caro, aumentando o endividamento em geral e reduzindo a capacidade de investimento do setor privado, caminhando para o aumento da taxa de desemprego.


E se não bastasse a inflação elevada e o aumento dos juros, o governo não está sendo capaz de retomar o crescimento econômico do país, tendo o Produto Interno Bruto (PIB) de 2014 apresentado variação praticamente nula (0,1%). E as perspectivas só pioram para 2015.


No Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central consta que se espera para o presente ano uma inflação de 7,9%. Por parte do mercado, conforme consta do Boletim Focus também do Banco Central, a estimativa é que o índice encerre o ano em 8,2%. Sobre a variação do PIB, o consenso geral, incluindo o governo, é que seja negativo em 2015. As previsões de mercado apontam para uma retração de aproximadamente 1%.


A insistência e a demora do governo Dilma em não assumir que decisões bastante equivocadas foram tomadas na condução da política econômica, durante o seu primeiro mandato, só dificulta a discussão e a proposição de saídas para o cenário crítico atual. As medidas de ajuste fiscal que estão sendo implementadas atualmente, embora necessárias, chegaram um tanto tardiamente, o que vai exigir um sacrifício bem maior da população brasileira.


(*) Primeiro vice-líder da Oposição na Câmara Federal e presidente regional do PSDB-AM.


Do site do PSDB na Câmara

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