"Dilma na contramão", por Cyro Miranda
26 de Janeiro de 2015
Os governadores de Goiás, Marconi Perillo, PSDB, e do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, PSB, assumiram os mandatos com a tesoura na mão. Extinguiram secretarias e cargos comissionados para tornar a administração mais ágil, fazer caixa e atender às demandas da sociedade. Era a expectativa, também, para o novo governo de Dilma, mas, a presidente parece disposta a continuar com um Estado gigantesco, lento e usado para distribuir benesses à base aliada. Pior, ela não tem a menor vergonha de mandar a conta para o cidadão e aumentar ainda mais a carga tributária brasileira, apimentada por um tarifaço.
Cortar gastos e aumentar a produtividade nada tem a ver com bandeira política e partidária. Trata-se de um desafio para qualquer gestor na iniciativa privada ou pública, que deseje melhorar o desempenho e tornar-se mais competitivo. Basta fazer as contas e verificar que a administração pública brasileira carece de mais profissionalismo para promover o desenvolvimento e o empreendedorismo.
Dilma gastou mal o suado dinheiro dos impostos dos trabalhadores e empreendedores nos primeiros quatro anos de mandato. Chegou a praticamente acabar com o superávit primário e ter de fazer um saque no Fundo Soberano para cobrir despesas correntes. Independentemente da coloração política e partidária do eleitor, havia uma expectativa de que, no segundo mandato, ela tomaria o caminho da gestão com responsabilidade. A nomeação de um ministro da Fazenda do setor privado sinalizava nesse sentido.
Ledo engano! Dilma abriu um saco de maldades e, no lugar de seguir a tendência mundial de baixar juros e estimular a economia, já elevou a Selic para irreais12,5% ao ano, amarra que desestimula o investimento produtivo e serve ao capital especulativo. Em quatro tenebrosos anos, Dilma ainda não aprendeu que os juros, por si só, não baixam a inflação e que o Estado precisa ser mais enxuto e competente.
A desconfiança em relação à gestão de Dilma continua a crescer, mesmo entre quem a elegeu. Há um sentimento generalizado de que o governo Dilma vai continuar a farra da gastança e dificilmente conseguirá reconduzir o Brasil ao caminho da estabilidade econômica e financeira. Não é por acaso que especialistas preveem o dólar a R$2,80 no final de 2015.
Até mesmo o Fundo Monetário Internacional (FMI), sempre otimista nas previsões de crescimento do Brasil, está pessimista em 2015. Cortou as projeções em 1,1% e rebaixou a expectativa de crescimento do PIB de 1,4% para 0,3%. Para 2016, as promessas da atual equipe não parecem convencer, pois o FMI prevê crescimento de apenas 1,5%. Dilma continua a conduzir o Brasil na contramão!
(*) senador pelo PSDB-GO
Artigo publicado no jornal "Diário da Manhã", em 26/01/2015

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