"Dilma e Houdini", por Antônio Marcus Machado
03 de Setembro de 2015
A queda do PIB é um claro sinal de que o país sofre consequências de decisões econômicas equivocadas e, em vários momentos, eleitoreiras. A situação hoje é equivalente, em termos de recessão econômica, àquela observada logo após a crise de 2008/09.
E, por incrível que possa parecer, se naquela época o governo brasileiro afirmou que era apenas uma “marolinha” e que o Brasil iria ensinar aos outros como administrar um país, até o final do ano passado, quando a situação que vivenciamos hoje já se confirmava, ele, o governo, também afirmava que estava tudo bem. A inflação estava sobre controle, os juros não subiriam e o câmbio sofria apenas uma variação temporária dizia a então candidata Dilma.
Não acreditaram nisso, 51 milhões de eleitores, mas não foram suficientes, por pouco, para traduzir, expor uma realidade autofágica e trabalhar imediatamente para mudá-la. Revestindo-se com o manto de Houdini, o maior ilusionista de todos os tempos – nunca, na história deste país, alguém havia feito isso tão ironicamente – a presidente só faltou prometer construir os Jardins da Babilônia no Planalto Central e recebeu votos de iludidos, oportunistas de plantão e ingênuos sonhadores. Depois, construiu uma Torre de Babel em seu próprio governo.
Agora, diria Lennon, “the dream is over”. O sonho acabou. Virou pesadelo. E não há mais uma classe média disposta a consumir e se endividar para salvar o governo. O que deseja, hoje, é recuperar a economia, a ética e a prosperidade.
O PIB é para o povo brasileiro o que o fluxo sanguíneo é para o cérebro humano. Quesnay, médico e economista fisiocrata francês, registrou que a sociedade é semelhante ao organismo humano. Inclusive, vários termos da medicina são usados na economia, como, por exemplo, pressão inflacionária, circulação da moeda e órgãos públicos. Quando o PIB é insuficiente, toda a população sofre e os órgãos públicos ou privados reduzem sua produtividade.
Em um ser humano se há perda de circulação sanguínea, o caso pode ser letal, com falência de órgãos vitais. Em um governo, se o PIB não promove a geração e a circulação de riqueza por períodos consecutivos, o caso é altamente letal. E a automedicação, como tem sido feita, só agrava a situação. O organismo entra em recessão e cérebro perde sua lucidez.
(*) Economista, presidente do ITV-ES

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