"A fantasia aos pedaços", por José Aníbal
05 de Agosto de 2015
A cada desdobramento da Lava Jato me vem à mente a imagem da presidente Dilma Rousseff à cabeceira do Conselho da Petrobras, exercendo sua autoridade nas decisões estratégicas da maior empresa do Brasil. Naquela época, Dilma ainda vivia a fantasia da gerentona.
Como hoje é sabido, uma chusma de diretores corruptos roubava a empresa. Os pixulecos, parece, iam para coberturas em Ipanema, carros de luxo, campanhas políticas, fretamento de jatinhos, jornalistas de aluguel, prostitutas, reformas em imóveis etc. Tudo com o dinheiro sob a guarda da gerentona.
Enquanto sobrepreços e propinas corroíam a Petrobras, Dilma gerenciava o quê? Sua trajetória, desde que entrou na Esplanada, é marcada pelo vazio de ideias próprias, pela persistente necessidade de dizer amém a Lula e pelas bravatas inoportunas criadas pelo marqueteiro.
Em julho de 2007, quando a Polícia Federal desencadeou a operação Águas Profundas, que visava desarticular fraudes em licitações da Petrobras, a então ministra da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração respondeu assim ao jornal Folha de S.Paulo sobre o significado das investigações:
"Mostra simplesmente que na Petrobras está se combatendo antes os crimes do colarinho branco, para que não ocorra o que ocorreu na Enron, que só descobriu o nível de corrupção da empresa no momento em que ela atribuiu uma perda para os seus funcionários, aplicável em suas ações, e na hora em que ela quebrou."
Não me arrisco a afirmar se Dilma ignorava ou não o que ocorria sob sua cadeira. Mas é certo que sequer se deu ao trabalho de averiguar internamente qual a real efetividade da governança da empresa para combater os delitos. Ao contrário, Dilma exaltou a boa gestão da Petrobras. Deus nos livre!
Basta uma pesquisa no Google para se encontrar todo um histórico de leniências da presidente que foram desaguar na Lava Jato -- da defesa das nomeações políticas no setor elétrico a contestações aos relatórios do TCU que apontavam mal feitos na Petrobras. Tudo poderia ter sido vasculhado. Não foi.
Ao contrário, a gerentona tornou-se presidente. Enquanto criava-se a fantasia da faxineira, os desmandos cresciam. Como é possível que, justo nos caminhos onde Dilma passou, como o setor elétrico e a Petrobras, se estendesse a maior rede de corrupção de que se tem notícia?
Onde estava Dilma? Será que os balanços não indicavam ao menos um indício de mau uso do dinheiro público? Dilma nunca suspeitou das razões pelas quais os projetos jamais saíam do papel? Não poderia, com sua energia habitual, dar um soco na mesa e acabar com a farra?
A resposta é não. Porque a Dilma gerentona foi só outra fantasia de marqueteiro. No fundo, ela aparenta ter sido mais uma a dançar conforme a música. Enérgica com subalternos, jamais teve peito para enfrentar Lula e seus indicados. Diante dos malfeitores reais, nunca disse um pio.
(*) Presidente nacional do Instituto Teotônio Vilela e senador suplente pelo PSDB-SP. Foi deputado federal e presidente nacional do PSDB.

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