"Apocalipse", por Antonio Anastasia
23 de Março de 2016

Trovões e relâmpagos na grande Babilônia. Nos palácios, reuniões e mais “reuniões de emergência”. Na pauta, escolha de ministros, discussões sobre como se defenderem de mais denúncias, estratégias para ‘ganhar a opinião pública’, para justificar o injustificável.


A intenção parece ser se sustentarem no poder a qualquer custo. Mas as fortes muralhas vão se esfarelando. Nenhuma discussão para tirar do caos o País. É o Governo do desespero, do improviso, da emergência, do “profeta do caos”, do último suspiro.


O rio da esperança esvai-se totalmente.


No mundo real, nós da oposição tentamos encontrar um caminho e colocar em votação no Congresso projetos de interesse do País que, a longo prazo, possam trazer luz ao abismo em que o Brasil foi jogado. Nas últimas semanas, conseguimos alguns avanços importantes em temas que nos são muito caros, como a governança e a melhoria da gestão pública.


Foi uma conquista, por exemplo, a aprovação da Lei de Responsabilidade das estatais, que estabelece normas de governança corporativa e regras para compras e licitações que atendam às especificidades de empresas públicas e sociedades de economia mista. Também avançamos com a PEC da Federação, que dá maior autonomia legislativa aos Estados brasileiros, e com o projeto que institui uma série de pré-requisitos para o exercício do cargo de conselheiro de fundo de pensão.


Estatais e fundos de pensão foram aparelhados nos últimos anos. O que queremos com projetos desse tipo é moralizar mais a administração pública, definindo regras e critérios mais claros para evitar abusos e malfeitos que tanto prejudicam o País. A corrupção, afinal, leva embora não somente o dinheiro público, mas a confiança e esperança das pessoas na política. E o único caminho da democracia é o político. Não convém negá-lo, pois.


Mas, nesse momento, quaisquer avanços nesse sentido parecem muito pouco dado o tamanho da crise política, econômica e ética em que estamos mergulhados.


No sistema presidencialista, como é o caso do Brasil, o Executivo tem papel fundamental, ao apontar os caminhos e as principais propostas para votação no Legislativo. Chegamos a uma situação tal no País, hoje, no entanto, que o Executivo perdeu completamente a capacidade de agir, até porque, cambaleante, está mais preocupado em manter-se de pé.


No nosso papel de legisladores de oposição, temos cumprindo o dever que a sociedade nos confiou. Estamos ante a um verdadeiro apocalipse, com direito a dragão vermelho de sete cabeças e dez chifres, a besta com cara de leopardo, pés de urso e boca de leão! À espera de que, em meio ao caos, Miguel vença logo a batalha e devolva a todos a esperança de um novo amanhã.


Difíceis tempos. Mas… ergamo-nos. Lutemos pelo País que pertence aos brasileiros e não a uma facção política. “Eu vi um novo céu e uma nova terra…” Construamos, juntos, pois, o bom futuro que queremos. É com mobilização e muito trabalho que ele virá. Enquanto isso, que Deus nos ajude a ter a paciência dos santos. Serenidade, temperança, coragem, força e sabedoria.


(*) Senador pelo PSDB-MG


Artigo publicado no jornal "Hoje em Dia", em 20/03/2016

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