"Apesar do lulopetismo, não vamos errar", por José Aníbal
José Aníbal
José Aníbal
28 de Abril de 2016


No seu labirinto de desagregação, o PT é incapaz de formular qualquer discurso revelador de algum entendimento sobre o que está acontecendo. Lula e Dilma competem entre si pelas declarações destemperadas, desconexas, que margeiam a pornografia política. Não faltam xingamentos generalizados aos que até ontem compartilhavam com eles a mesma manjedoura. É um misto de cólera e recusa a admitir o desastre que produziram. Desastre sobre o qual, apesar do que já apareceu, ainda não conhecemos a completa dimensão.


Sabemos que quebraram e pilharam o país. Retrocederam em todos os programas sociais, mas ainda falta muito por saber sobre rombos causados por políticas deletérias como a dos campeões nacionais via BNDES, a da predação dos fundos de investimentos e das empresas estatais, e a do aparelhamento irresponsável e incompetente da máquina pública. Foi uma farra mais para orgia. Não tem como Lula e Dilma, com todo destempero, conseguirem vacina contra tudo que já lhes foi imputado e pelo que ainda vai aparecer. 


 Os petistas e seus apaniguados já estão queimando papéis e preparando a mudança. Entretanto, pelo estrito seguimento da constitucionalidade do processo de impeachment, ainda tardará mais de duas semanas para o afastamento de Dilma. São apenas alguns dias. Mas certamente dias ruinosos para o crescente número de desempregados, para as empresas que estão quebrando, para sair da depressão na economia, para qualquer horizonte de esperança. 


O lulopetismo na sua recusa cega aos fatos não admite que esse tempo de dias de ausência de governo corre contra o Brasil. Não reconhecem que tem tudo a ver com o agravamento do difícil cotidiano dos brasileiros. Desacreditados e desmoralizados pelo estelionato eleitoral, a corrupção generalizada, a incompetência, as fraudes, a derrocada da economia e a repulsa que levou milhões de brasileiros às ruas nos últimos 15 meses, são incapazes de um gesto de arrependimento ou renúncia. Vão sair, mas querem punir. Querem o dilúvio. Não se sensibilizam com fatos impressionantes como o de um encontro marcado para acompanhar a votação do impeachment na Avenida Paulista reunir 300 mil pessoas. Combustão espontânea. O povo cansou. Quer a mudança já. 


O que devemos esperar das forças políticas que contribuíram para o afastamento de Dilma, nestes dias que nos separam da manifestação do Senado, é o oposto do fim de xepa do lulopetismo. É urgente um arranjo político/administrativo que reúna estas forças para dar sustentação à imediata recuperação da credibilidade e da confiança necessárias à retomada da economia e do emprego, sob a presidência de Michel Temer. É fundamental a montagem de uma equipe indicativa de uma ação em sintonia fina com o que é a vontade manifesta dos brasileiros.


A mudança terá que ser construída sobre uma herança, como sabemos, maldita e devastadora. Resultados almejados e realizados serão o único critério a certificar o acerto dos caminhos e transparência dos procedimentos adotados. Não vamos errar! 


 


(*) presidente nacional do Instituto Teotônio Vilela e senador suplente pelo PSDB-SP. Foi deputado federal e presidente nacional do PSDB.




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