A democracia totalitária bolivariana
Denis Ronsenfield
Denis Ronsenfield
21 de Agosto de 2017
Nada do que está hoje acontecendo na Venezuela deveria surpreender. Presenciamos o desenvolvimento lógico-político de instauração do socialismo naquele país, tendo começado com Chávez e encontrando o seu desfecho na abolição da democracia e no assassinato de mais de uma centena de pessoas nas ruas em poucas semanas.

Espanta, contudo, o cinismo de alguns políticos que teimam em dissociar a "democracia" de Chávez da "ditadura" de Maduro, como se fosse possível separar as premissas da conclusão. Nesse sentido, o elogio do indefectível Lula a Chávez quando considerou que aquele país tinha "excesso de democracia", e não falta, acompanhado de apoio financeiro do contribuinte brasileiro por meio do BNDES, mostrou coerência com sua sustentação do ditador Maduro. O apoio atual do PT a este, com manifestações de sua presidente no Foro de São Paulo, segue uma mesma lógica, cuja única virtude consiste em expor a faceta totalitária do partido.

Qual democracia está em questão: a democracia representativa, com todas as suas limitações e contrapesos, ou a democracia totalitária, com sua ilimitação e projeto de destruição do próprio sistema representativo?

A democracia totalitária é um conceito elaborado por um célebre cientista político, J. L. Talmon, em sua obra Origens da democracia totalitária. Recorrendo aos filósofos do século 18, mas atento ao fenômeno totalitário comunista do século 20, destaca ele o surgimento de uma ideia democrática, fundada na soberania do povo, entendida como guia de uma atividade política que desconhece limites. Em nome da vontade popular, tudo seria possível, inclusive o desrespeito à lei e à Constituição ou, mesmo, a abolição das duas.

Em nosso país, por exemplo, quando políticos de esquerda procuram cancelar os seus crimes dizendo que as eleições absolvem os que violaram as leis, estão dizendo com isso que processos eleitorais são os únicos capazes de julgar os políticos, por mais criminosos que sejam. Não seriam os tribunais os juízes, mas as eleições, na medida em que seriam expressões da vontade popular. É o mesmo argumento que está sendo utilizado por Lula e os seus apoiadores, forçando de qualquer jeito a sua candidatura, para, uma vez eleito, escapar de qualquer condenação em curso. É a faceta totalitária.

Leia a ÍNTEGRA DO ARTIGO, publicado no jornal "O Estado de S. Paulo", em 21/08/2016

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