2017-2018, um biênio crucial
Pedro Malan
Pedro Malan
09 de Janeiro de 2017

O Brasil mudou, o Brasil está mudando, o Brasil continuará a mudar. Apesar – e por causa – de nossos inúmeros, inegáveis e, por vezes, assustadores desafios, de curto, médio e longo prazos. Porque governos, e a sociedade que os elege, não têm alternativa senão procurar enfrentar tais desafios, antes que percepções de custos crescentes se tornem geradoras de crises mais sérias.


Em artigo neste espaço (O que temos a ver com gregos e outros?), de maio de 2010 – décimo aniversário da Lei de Responsabilidade Fiscal –, após comentar a crise na zona do euro, escrevi, em meio ao nosso enganoso clima de 2010, que “era nos períodos de bonança e de euforia que se deveria precavidamente preparar o terreno para tempos mais difíceis – que sempre chegarão”.


Notei que tão ou mais importante que comemorar a primeira década da lei seria resistir à miríade de pressões para que ela fosse desvirtuada, não permitindo que o espírito que presidiu à sua elaboração, no final dos anos 1990, fosse gradualmente deixado de lado. Isso seria, a meu ver, “o ovo da serpente” de futuras crises fiscais, que estariam por trás de dificuldades para assegurar o crescimento sustentável da economia.


Pois bem, os tempos mais difíceis nos chegaram, e com força historicamente inédita, nos últimos três anos. A recessão atual começou, não por acaso, no segundo trimestre de 2014, a recuperação sendo muito gradual: o nível de renda real per capita de 2013 não deverá ser alcançado antes do início dos anos 2020; os sinos do poeta – “não me perguntes por quem os sinos dobram...” – dobram agora para nos alertar, mais uma vez, que o tempo não está correndo a nosso favor, há limites para a procrastinação e corremos sério risco de ficar para trás, de virar um país velho antes de nos tornarmos um país mais rico.

Leia a ÍNTEGRA DO ARTIGO publicado no jornal "O Estado de S. Paulo", em 08/01/2017 

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