O Brasil na presidência do Mercosul
Rubens Barbosa
Rubens Barbosa
08 de Agosto de 2017

Depois de mais de um ano e meio sem os presidentes do Mercosul poderem reunir-se, por causa da crise e da suspensão da Venezuela, a 50.ª reunião do grupo, realizada em julho em Mendoza, na Argentina, foi uma das mais importantes dos últimos anos, como evidenciado por seus resultados.


Do ângulo político, o encontro de Mendoza pode ser considerado um marco na história do bloco. Houve consenso quanto à retomada dos objetivos iniciais do Mercosul. A prioridade para a liberdade de comércio e para a abertura de mercados, perdida nos últimos 15 anos, voltou a valer. Havia sido relegada a segundo plano quando os governos deixaram de lado as negociações comerciais externas e dentro do bloco, privilegiando temas políticos e sociais, sem dúvida importantes, mas que estão fora do foco do Tratado de Assunção.


Entre os avanços registrados estão o aprofundamento do acordo de comércio com a Colômbia, o compromisso de obter até dezembro uma declaração política para a finalização do acordo com a União Europeia, o prosseguimento dos entendimentos com a área econômica europeia (Efta), a assinatura de protocolo de cooperação e facilitação de investimentos e, ainda, o compromisso de firmar antes do fim do ano um acordo de compras governamentais entre os países-membros. Adicionalmente, refletindo a importância de projetos para ampliar a infraestrutura sul-americana, houve manifestação de apoio ao corredor ferroviário ligando o Atlântico ao Pacífico, como uma extensão da Hidrovia Paraná-Paraguai.


Do ponto de vista político, além do renovado compromisso de aprofundar a integração regional, os presidentes reforçaram o compromisso com o Acordo de Paris sobre clima, com o fortalecimento da democracia, com o multilateralismo (à luz da onda protecionista que poderá enfraquecer ainda mais a OMC) e decidiram ampliar a coordenação para o combate ao contrabando de armas e drogas nas fronteiras.


A Venezuela foi o tema dominante da reunião. O aprofundamento da crise política, social e humanitária nesse país foi amplamente discutido. Em razão da oposição do Uruguai e da Bolívia, ainda membro associado em processo de adesão como membro pleno do Mercosul, não foi possível adotar uma posição mais firme, como queriam alguns presidentes.

Leia a ÍNTEGRA DO ARTIGO, publicado no jornal "O Estado de S. Paulo", em 08/08/2017

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