Há um longo caminho até as eleições
Marcus Pestana
Marcus Pestana
15 de Janeiro de 2018

A sabedoria mineira sempre indicou que “paciência e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém”. A ansiedade e a pressa não são boas conselheiras. Digo isso a propósito das intensas especulações sobre a sucessão presidencial, alimentadas a cada pesquisa de opinião divulgada. É verdade que faltam apenas dez meses para as eleições. Mas há tanta coisa para acontecer que parece equivaler a um século.


O Brasil deverá reencontrar seu destino e futuro após um longo período de divórcio entre sociedade e representação política, resultante da profunda crise ética, econômica, social e política. Só as urnas poderão devolver ao governo a força, a credibilidade, a confiança e o ambiente imprescindíveis para a modernização da economia, o ajuste das contas públicas, a retomada do crescimento e a geração de renda, emprego e bem-estar. Mas há um longo caminho a nos separar das eleições de outubro, cheio de acidentes e nebulosidade.


É impossível saber qual será o estado de espírito da população na hora do voto. Hoje, uma parte da sociedade mergulha de cabeça num mar de intolerância, radicalismos, intransigências, xingamentos recíprocos. Outra parte é abraçada por um sentimento de desânimo e desesperança, vocalizando ideias do tipo “todos são iguais”, “não acredito mais em políticos e na política”, “não vou votar em ninguém”.


Na democracia, o futuro é produto das escolhas coletivas, soma do posicionamento de cada um. E virar as costas para isso e renunciar ao direito de escolha é também um posicionamento político que gera consequências. Se você não quiser participar da decisão, alguém vai decidir por você. Você pode não querer mexer com política, mas inevitavelmente a política vai mexer com sua vida.


Será que o atual clima político vai carregar a maioria dos brasileiros para o voto em branco ou o nulo e para a abstenção? Será que surgirá um outsider como Luciano Huck? Ou a escolha se dará em torno de lideranças experimentadas e testadas? Difícil antever.


Hoje, o quadro esboça uma decisão entre duas perspectivas radicalizadas, encarnadas na candidatura de Bolsonaro, de um lado, e em Lula, Ciro Gomes e o PT, de outro. Mas o centro político democrático começa a se organizar e discutir a construção de uma candidatura calçada na experiência, no equilíbrio e no compromisso reformista. Surgem os nomes do governador Geraldo Alckmin, do ministro Henrique Meirelles e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia.


Mas o cenário ainda é imprevisível. As eleições de 2018 se assemelham até agora a uma verdadeira loteria. E muitos fatos determinantes podem alterar as tendências: julgamento de Lula, decisão do TSE sobre o uso do Fundo Partidário, prévias do PSDB, mudanças de sigla e filiações até abril, recuperação ou não da economia, alianças partidárias, condenações da Lava Jato.


Portanto, “devagar com o andor, que o santo é de barro”. Quem disser que sabe exatamente o que ocorrerá em outubro é mentiroso ou desinformado.

(*) Deputado federal por Minas Gerais, secretário-geral do PSDB

Artigo publicado no jornal O TEMPO, em 15/01/2018

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