FHC - 'Diários', 1999-2000
Celso Lafer
Celso Lafer
16 de Abril de 2017

Os desafios do processo decisório no âmbito do sistema político brasileiro são um tema da maior relevância e de repercussão geral na vida do País. Os Diários da Presidência, de FHC, oferecem rico instrumento de análise do fio da meada desse processo tal como se foi desenrolando no calor da hora do exercício de suas responsabilidades de chefe de Estado e de governo.


O presidente americano Harry Truman tinha perfeita consciência de que no exercício dessas responsabilidades “the buck stops here”, ou, traduzindo livremente, ao presidente cabe descascar os pequenos e grandes abacaxis da sua gestão. Para o entendimento dessa matéria, os Diários dão inestimável esclarecimento. Esse é um de seus grandes méritos, que não tem sido devidamente destacado. Em parte, isso ocorre porque os que analisam o governo “de fora”, na academia, na imprensa, na empresa, na vida cotidiana, não se dão conta do tamanho do desafio do processo decisório presidencial num país complexo como o Brasil.


Truman também dizia: “If you can’t stand the heat, you better get out of the kitchen”, vale dizer, se você não aguenta o calor das pressões, desista da cozinha do processo decisório. FHC enfrentou com coragem o calor das pressões para, no grande jogo da política democrática, dar rumo à res publica e manter o sentido de direção de seu governo.


É compreensível que no desabafo da intimidade dos seus Diários tenha avaliado com a espontânea liberdade crítica do momento das gravações o superaquecimento na cozinha do processo decisório brasileiro. Esses desabafos em relação a pessoas e situações têm sido muito comentados, mas são as árvores, e não a biodiversidade da grande floresta da trama do processo decisório que ele desbravou com talento e determinação.

Leia a ÍNTEGRA DO ARTIGO, publicado no jornal "O Estado de S. Paulo", em 16/04/2017 

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