Diálogos não impossíveis?
Pedro Malan
Pedro Malan
11 de Junho de 2017

Dez anos antes do início da Operação Lava Jato e um ano antes da primeira denúncia sobre o chamado “mensalão”, um arguto analista da cena brasileira assim escreveu: “Da Colônia à República, é com o governo que quase sempre foram feitos os melhores negócios. Não é de hoje que boa parte da elite vem sendo formada na crença de que o segredo da prosperidade é estabelecer sólidas relações com o Estado. Vender para o Estado, comprar do Estado, financiar o Estado, ser financiado pelo Estado, apropriar-se de patrimônio do Estado, receber doações do Estado, transferir passivos para o Estado, repassar riscos para o Estado e conseguir favores do Estado” (Rogério Werneck, Balcão de negócios, Estado, 7/5/2004).


Nossa História mostra que o espaço aberto para essas relações, interações e transações é tanto maior quanto maior é o peso atribuído pelas crenças ou pelos graus do acreditar (degrees of belief em Keynes) no poder do Estado, de suas empresas e de seus bancos como agentes primordiais do processo de desenvolvimento econômico e social de um país. Que o digam os anos do Brasil pós-PAC, nos quais a inflexão ou restauração nacional-desenvolvimentista (fortalecida ao final de 2005, decidida ainda em 2006 e explicitada com clareza no início de 2007) foi levada, como nunca antes, a extremos inacreditáveis nos anos pré-2014, num elusivo “projeto” de permanência no poder.


Governos democráticos, escreveu Rajan, não são programados para pensar em ações que gerem custos em curto prazo. Que de vez em quando o façam é consequência ou de uma liderança incomumente corajosa ou de um eleitorado que compreende os custos de adiar escolhas difíceis. Liderança corajosa é coisa rara. Mas também é raro um eleitorado informado e comprometido. O resultado é que as escolhas políticas seguem o caminho das linhas de menor resistência – até que a situação se torne insustentável.

Leia a ÍNTEGRA DO ARTIGO, publicado no jornal "O Estado de S. Paulo", em 11/06/2017

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