26 de FEV. de 2016
Infeliz aniversário
26 de Fevereiro de 2016

A cada ano que passa, o PT defronta-se com escândalos cada vez mais cabeludos. Agora volta a defender a receita econômica que levou o país ao buraco em que se encontra


Carta de Formulação e Mobilização Política, 26 de fevereiro de 2016, Nº 1310


A cada ano, o enredo se repete. O PT comemora seu aniversário de fundação envolto na “pior crise de sua história”. A cada ano, descobrem-se casos ainda mais rumorosos envolvendo o partido que se intitula “dos trabalhadores” nas mais grossas falcatruas já cometidas por uma agremiação política no Brasil.


Os 36 anos de fundação do PT serão festejados com samba pelos petistas neste fim de semana. Só pode ser o do crioulo doido. A legenda é hoje, disparada, a mais rejeitada pelos brasileiros: 38% a consideram o partido de que menos gostam, segundo pesquisa divulgada pelo Ibope em novembro passado.


A presidente eleita pela sigla é a mais impopular da história brasileira. E, para coroar, o nome do seu líder-mor, Lula, é hoje mais associado aos mais cabeludos casos de roubalheira já descobertos no país do que a suas realizações na presidência da República: 70,3% dos brasileiros o consideram culpado por corrupção, segundo pesquisa divulgada nesta semana pelo instituto MDA.


Mesmo nas cordas, o PT nunca deixa de inovar. Na festa prevista para este fim de semana, o partido vai exercitar seu costumeiro movimento pendular, e tentar ser governo e oposição ao mesmo tempo. Vai buscar fingir que não tem nada a ver com a ruína que a presidente eleita pelo partido, ungida pelo seu líder-mor, promove. Elegeram Dilma? Agora aguentem.


Os petistas prepararam um “plano de emergência” que serviria, segundo afirmam, para “retomar as mudanças”. Mas a receita petista não tem nada de novo: prega a ressurreição das práticas e políticas que colaboraram diretamente para jogar o Brasil no buraco em que se encontra hoje. Práticas e políticas que Lula começou e Dilma aprofundou.


A bula dos petistas para mudar o mundo tem os seguintes ingredientes: elevação de impostos (metade das 16 medidas sugeridas), redução da taxa de juros na marra, aumento da concessão de créditos, maior investimento do Estado. Alguma semelhança com a velha “nova matriz econômica” não é mera coincidência. O PT deixa claro: a saída está em “dobrar a aposta” no modelo falido adotado desde 2008. Alguém se aventura?


No seu convescote deste fim de semana, os petistas prometem defender Lula e ensaiam até esculachar Dilma – um passo além do que fizeram no programa exibido na TV nesta semana, em que ignoraram a presidente. Nesta pauta, bem que poderiam incluir o item da hora: a constatação, cada vez mais forte, de que propina desviada das estatais financiou o projeto de poder do partido, como reforça hoje O Globo.


A enganosa capa de ética e modernidade do PT já ficou, esfarrapada, na poeira do tempo. Agora a associação direta da sigla é com a corrupção grossa e com o ideário retrógrado – como ficou claro, mais uma vez, na votação das mudanças nas regras do pré-sal. Sua pantomima acabou. Bem antes de envelhecer, os petistas ficaram gagás.

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