28 de ABR. de 2017
Greve de Razão
28 de Abril de 2017


Aos que hoje cruzam os braços contra o país contrapõe-se a imensa maioria, que irá ao trabalho para que não prevaleça o grito, para que o Brasil progrida e não retroceda 

Um bando de gente vai ficar hoje de braços cruzados emendando o feriadão que deveria celebrar o Dia do Trabalho. Parte vai parar para protestar nas ruas, contra tudo e contra todos; muitos pararão não porque querem, mas porque terão seu direito de ir e vir cerceado por uma minoria.

Sobra verbo e falta razão na greve geral convocada para esta sexta-feira, noves fora o direito democrático que a Constituição Federal lhes assegura - o que não justifica os abusos de sempre. Seus participantes preferem que tudo no Brasil continue como está, ou seja, ruim, desigual, atrasado e desumano.

Diz-se que a paralisação é contra a reforma da Previdência, as novas regras trabalhistas e a regulamentação da terceirização. Nesta linha, não surpreenderia que fosse também contra a água encanada, a vacina antirrábica e a luz elétrica. O espírito é mais ou menos o mesmo.

Quem convoca a greve são sindicatos, centrais e castas profissionais que temem perder privilégios, a começar pelo imposto que cada trabalhador é obrigado pagar anualmente, dedicando-lhes graciosamente um dia de labuta - maná a que a reforma laboral recém-aprovada dá fim.

Seus adeptos mais numerosos são os trabalhadores abrigados nos benefícios da CLT, funcionários públicos protegidos no conforto da estabilidade no emprego, ansiosos por se aposentar aos 50 e poucos anos com vencimento integral até a morte. A eles juntam-se os baderneiros de sempre e a turma que é contra tudo isso que está aí.

É curioso que não se tenha visto nenhuma destas corporações ocupar as ruas enquanto o país afundava sob o governo do PT. Não se viu protestarem contra a roubalheira, a implosão do orçamento público e a desconstrução da nossa economia.

É ainda mais curioso que, quando os problemas começam a ser enfrentados de maneira decidida, estes mesmos grupelhos resolvam cruzar braços e reclamar. Quando os privilégios são atacados e as iniquidades, enfrentadas, eles não gostam.

Sob o pretexto de que faltou discussão sobre as reformas em marcha, os grevistas as desqualificam na íntegra. Esse é um argumento de quem não quer mudar nada. A discussão eminentemente protelatória é a melhor forma de manter tudo como está, tônica nos governos de Lula e Dilma.

Na sua estreiteza, os grevistas não conseguem sequer admitir que há, sim, sérios problemas num sistema de previdência cujo rombo triplicou em quatro anos - e que não será coberto nem se todas as dívidas forem sumariamente executadas e todos os devedores, presos.

Enquanto essa gente refuta a aritmética básica, que agora até alunos precisam ensinar a seus professores, os gastos do país simplesmente arruínam-se. Só em um trimestre, o rombo da Previdência bateu em R$ 40 bilhões, alta de 38% sobre o mesmo período de 2016.

Ao mesmo tempo, os investimentos públicos encolheram a pouco mais de um terço do que eram no início do ano passado. Esta é a marcha que aguarda o país em caso de fracasso da reforma previdenciária: todo o dinheiro tirado do contribuinte só servirá para pagar benefícios e pensões, até o dia em que nem isso mais pagará.

Os grevistas também não estão nem aí para quem vive de emprego informal, toca seu próprio negócio e, pior ainda, para os mais de 14 milhões de brasileiros desempregados, como divulgou o IBGE nesta manhã. Querem fazer crer que os direitos que assistem a esta minoria - que mal perfaz um terço do total de trabalhadores - são intocáveis.

Para essa gente, modernizar a legislação trabalhista é heresia. Falar da normatização de relações de trabalho que envolvem mais de 13 milhões de profissionais terceirizados é pecado. Ao mesmo tempo, sofismam que direitos estão sendo vilipendiados e omitem que as novas leis trazem miríades de salvaguardas aos trabalhadores, sem falar no fato de que lei ordinária alguma se sobrepõe à Constituição.

A esta parcela que hoje cruza os braços contra a recuperação do país e contra as reformas essenciais para atacar privilégios, criar novas oportunidades de emprego e evitar a perpetuação de desigualdades contrapõe-se uma imensa maioria que irá ao trabalho para continuar reconstruindo o Brasil e superar o atraso, para que prevaleça a razão e não o grito, para que o país progrida e não retroceda.

- Carta de Formulação e Mobilização Política Nº 1573 


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