02 de MAR. de 2018
Lula em seu labirinto
02 de Março de 2018


Estratégia petista é levar candidatura do ex-presidente, impedido ou não, preso ou não, até o fim, com objetivo de deslegitimar o vitorioso em outubro e emparedar nossa democracia

Luiz Inácio Lula da Silva tem hoje uma única missão: sobreviver aos processos que o condenam e livrar-se de anos de cadeia pelos crimes que cometeu. Todo o resto serve apenas para dar contornos mais, digamos, heroicos à sua luta. Em particular, os interesses maiores do país são quase irrelevantes para os planos de Lula.

A constatação salta da longa entrevista que o ex-presidente concedeu à Folha de S.Paulo, publicada na edição desta quinta-feira. O que se percebe ali é um personagem em missão pessoal, quase personalíssima. Lula está mais autocentrado do que nunca, se sente mais ungido do que jamais se sentiu. Considera-se, sobretudo, acima do bem e do mal. O Brasil e os brasileiros que se danem.

Nas respostas, ele também dá a antever o script que o PT prepara para turvar o processo eleitoral que se avizinha e emparedar a democracia brasileira. O partido e seu líder emitem sinais de que irão até o fim nas eleições, com objetivo evidente: deslegitimar o eleito em outubro, partindo da premissa de que Lula sub judice na urna, votos brancos e anulados possam superar o obtido pelo vencedor do pleito.

“Eu quero saber o seguinte: eu, proibido de ser candidato, na rua fazendo campanha, como eles vão ficar? Eles estão me transformando numa vítima desnecessária”, ameaça o petista. No mesmo contexto, ganha maior sentido também a afirmação de Lula de que é contra o PT boicotar a eleição. Claro está: ele pretende estar lá, disputando-a, do jeito que for, com ou sem permissão, com ou sem seu nome na urna, preso ou não.

Lula está impedido de concorrer por razões legais, por ser ficha suja. Foi condenado em duas instâncias da Justiça por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro a, até agora, pena de 12 anos e um mês de reclusão – que pode começar a ser cumprida já no próximo dia 23, segundo aventa a revista Veja em edição que circula hoje. No total, o ex-presidente está envolvido em nove processos e já é réu em outros cinco deles.

Está fartamente provado que o petista se locupletou do cargo de presidente da República para colocar dinheiro no bolso, na forma de patrimônio – sobre os quais, na entrevista, mais uma vez ele nada esclarece. Merece, portanto, a devida punição. Mas Lula trata a Justiça e seus ritos quase como detalhes, miudezas.

Considera as instituições como algo de somenos importância. Investe contra autoridades e órgãos cujo único pecado foi contrapor-se a ele. Tenta até subverter os ditames processuais. Também mistifica e insufla conflitos – o “nós contra eles”, que agora incluem até “os americanos”... – que só existem para embalar seu projeto político. Ao agir assim, o ex-presidente, mais uma vez, deseduca, no que não chega a ser nenhuma novidade em seu comportamento.

Lula não honra sua história. Gozou de prestígio que nenhum outro presidente brasileiro experimentou. Teve oito anos de triunfos, quase sem ser admoestado. Elegeu e reelegeu sua sucessora, a mesma que levou ao paroxismo a receita que ele havia inaugurado e que destruiu a economia do país, hecatombe da qual só agora, três anos depois, estamos começando a nos recuperar.

Deveria, pois, dar-se por satisfeito. Mas não. Lula quer mais. O PT quer mais. A questão é: para quê?

A missão de quem se apresentar ao eleitorado nos próximos meses – além, claro, de conquistar os votos necessários à vitória – deve ser impedir que o plano maquiavélico dos petistas triunfe. Lula e o PT precisam ser derrotados no coração e na razão dos brasileiros. E superados nas urnas, para que o mito erigido em torno do ex-presidente da República suma do mapa político brasileiro e descanse em paz, na cadeia.

- Carta de Formulação e Mobilização Política Nº 1748

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