04 de JUL. de 2014
Segundo turno à vista (Carta 950)
04 de Julho de 2014
Carta de Formulação e Mobilização Política, 04 de julho de 2014, No. 950

Nem com toda a propaganda oficial, nem com todo o clima de festa que cerca a época de Copa do Mundo, a presidente Dilma Rousseff consolidou suas chances de vitória nas eleições de outubro. O que a mais recente pesquisa de intenções de voto, divulgada ontem pelo Datafolha, atesta é que a disputa será decidida em dois turnos e, na segunda rodada, a oposição tem tudo para vencer.

Para começar, as intenções de voto na candidata-presidente empatam rigorosamente com as declaradas nos demais candidatos: 38% a 38%. No início de junho, Dilma tinha percentual menor (34%), mas os oponentes pontuavam bem menos (32%). Ou seja, neste último mês mais eleitores se inclinaram a ficar contra do que a favor da petista.

Dilma também tem contra si uma taxa de rejeição que é o dobro da de Aécio Neves: 32% a 16%. A proporção daqueles que dizem que não votarão na petista “de jeito nenhum” é ainda mais acachapante em determinados grupos: somam 51% entre os eleitores com ensino superior, 49% nos de renda acima de dez salários mínimos e 40% na região Sudeste. Se depender deles, Dilma já pode pedir o boné...

Em alguns segmentos de renda e região, Aécio já vence ou empata com a presidente. Entre os que ganham entre cinco e dez salários mínimos, o tucano tem 36% dos votos e a petista, 26%. Igual vantagem é registrada entre os que completaram o ensino superior, faixa em que Aécio ganhou sete pontos em um mês. No estrato acima de dez salários, há empate técnico entre os dois, situação que se repete nos estados do Sudeste.

Dá para delimitar claramente onde Dilma Rousseff concentra a maior parte de suas forças: a região Nordeste, as cidades de interior do país, os brasileiros que ganham menos de dois salários mínimos, as mulheres e os eleitores com apenas ensino fundamental completo.

Os números colhidos pelo Datafolha para um possível segundo turno evidenciam as reais chances de vitória da oposição. Hoje, a diferença entre Dilma e Aécio é de apenas sete pontos percentuais: 46% a 39%. Vale lembrar: há pouco mais de quatro meses, em fevereiro passado, a petista tinha o dobro das intenções de voto no tucano nesta mesma simulação.

Ainda sobre o segundo turno, Aécio já empataria com Dilma entre os jovens, entre aqueles com escolaridade até o ensino médio, nas regiões metropolitanas e na faixa de renda entre dois e cinco salários mínimos. E venceria a petista entre os brasileiros com ensino superior, com renda acima de cinco salários, nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste e nos municípios com mais de 200 mil habitantes.

Por enquanto, apenas um terço dos eleitores manifesta “grande interesse” pelas eleições. Ou seja, a decisão do voto ainda está sendo postergada, com os brasileiros à espera de conhecer melhor as alternativas que têm ao que já está aí há 12 anos e já é muito bem conhecido.

A oposição tem uma avenida pela frente para decolar. Enquanto 50% dizem “conhecer muito bem” a presidente, apenas 16% manifestam a mesma posição em relação a Aécio Neves. Assim, o início da propaganda eleitoral, com exibição equânime dos candidatos, tende a favorecer quem é menos conhecido e não quem já está aí, massivamente vendida todos os dias pela propaganda oficial, há anos.

Os resultados do Datafolha se juntam aos de outros institutos de pesquisa e apontam, todos, numa única direção: o país ruma para uma eleição em que os cidadãos optarão pela mudança, abrindo nova fase de prosperidade e de desenvolvimento para os brasileiros. A campanha que ora começa será valiosa para aclarar os novos caminhos que se abrem, dando aos eleitores as melhores condições de fazer as escolhas que o Brasil precisa.

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