27 de JAN. de 2015
Procura-se Dilma desesperadamente (Carta 1069)
27 de Janeiro de 2015
Carta de Formulação e Mobilização Política, 27 de janeiro de 2015, No. 1069

Dilma Rousseff deve reaparecer em público hoje depois de longo período de reclusão. Após a reunião ministerial convocada por ela, vamos poder saber se o país tem de fato uma presidente da República ou alguém que se esconde atrás de seus auxiliares por não ter ideia do que fazer para melhorar o país.

Há 26 dias Dilma não se manifesta em público. Neste segundo mandato, tão cheio de emoções em seu comecinho, a presidente só deu as caras no dia da posse. Depois, mudez total, enquanto o saco de maldades impostas à população era esvaziado dia após dia.

Lá se vai mais de um mês que Dilma não fala com a imprensa. A última vez foi num café da manhã às vésperas do Natal, em 22 de dezembro. Ou seja, nenhuma explicação ou transparência em relação às medidas tomadas na arrancada deste seu segundo mandato.

Espera-se que a presidente explique hoje ao distinto público por que está fazendo tudo ao contrário do que dizia que faria quando estava em campanha pela reeleição. Não se ouviu de Dilma até agora uma manifestação sobre a correção de rumos ou, menos ainda, qualquer mea culpa sobre os erros do primeiro mandato que exigem tamanho ajuste agora.

A lista de temas à espera das palavras da sumida presidente é extensa: corte de direitos trabalhistas e previdenciários, aumento de impostos, elevação dos juros, reajustes de tarifas públicas, apagões e ameaça de racionamento, revelações ainda mais cabeludas no escândalo da Petrobras. Assunto ela tem para falar horas seguidas.

Pode ser que saibamos hoje até que ponto Dilma está ou não de fato comprometida com a correção das suas próprias lambanças. Até que ponto irá perseverar no ajuste recessivo no qual embicou seu governo, empoderando o ministro Joaquim Levy – cujo nome ainda não foi pronunciado pela presidente em público – para todo tipo de malvadezas.

Segundo versões vazadas dos palácios, Dilma deixou o jogo sujo por conta da equipe econômica a fim de se preservar. Ao mesmo tempo, o PT, de maneira esperta, tenta disseminar que também não tem nada a ver com o ajuste em marcha. Daqui a pouco vai ter gente falando que é tudo obra do Espírito Santo...

A presidente precisa vir a público hoje expressar o que realmente pretende para seu segundo mandato. As incertezas são agravadas pelo fato de Dilma ter sido eleita com base numa propaganda mentirosa e mistificadora, sem sequer um programa de governo pronto e acabado apresentado à população.

O que os brasileiros esperam da governante é um mínimo de honestidade na sua comunicação com o público. É tudo o que não se viu até agora da presidente, escondida atrás de traições em relação às promessas de campanha, pusilanimidade e espertezas. Fala, Dilma; o microfone hoje é todo seu.

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