25 de FEV. de 2015
Petrobras em queda livre (Carta 1087)
25 de Fevereiro de 2015
Carta de Formulação e Mobilização Política, 25 de fevereiro de 2015, No. 1087

Aconteceu o esperado e a Petrobras teve sua nota de crédito rebaixada ontem pela agência de classificação de riscos Moody’s. A maior empresa pública do Brasil é agora considerada investimento especulativo, no mesmo saco de outras moedas podres. O que já está ruim demais pode ficar muito pior.

A consequência imediata para a empresa é perder investidores, pagar juros mais altos, ver seu crédito na praça secar e ter seu plano de expansão ainda mais comprometido. Seu valor de mercado deverá continuar despencando. O futuro da estatal não é nada venturoso.

A Moody’s alegou três razões para rebaixar a Petrobras: atraso na divulgação do balanço, alto endividamento e corrupção. É, portanto, uma mistura indigesta de má gestão e roubalheira. A estatal já se tornou case global de como destruir patrimônio.

De uma vez só, a companhia decaiu dois degraus na escala de crédito da Moody’s, algo incomum. Desde 2005, a Petrobras desfrutava da condição de grau de investimento. Isso deixa claro, de uma vez por todas, que quem elevou a empresa a seu patamar mais alto foram as políticas públicas e estratégias de gestão implementadas no governo do PSDB. As da administração do PT a afundaram.

A perspectiva de a Petrobras retomar a condição de grau de investimento, ou seja, de empresa confiável aos olhos dos investidores, é distante e, analisada de hoje, pequena. O mais provável é a empresa descer ainda mais na escala, e ser também rebaixada pelas demais agências de riscos – o que deve acontecer em questão de dias.

A dificuldade de conseguir publicar um balanço confiável em tempo hábil também põe a companhia sob risco de ir à bancarrota, obrigada a adiantar pagamentos para os quais não dispõe de recursos. No rastro, cairá também a nota de crédito do país, como bola de neve.

A gestão petista jogou todas as suas fichas para tentar evitar o rebaixamento. Joaquim Levy hipotecou sua credibilidade junto à agência, mas de nada valeu. As garantias de socorro à Petrobras oferecidas pela equipe de Dilma em caso de insolvência foram rechaçadas. O ativo do governo brasileiro foi rejeitado e tratado como moeda podre.

A decisão da Moody’s também é a primeira reação explícita dos investidores às péssimas escolhas da presidente da República para o comando da estatal. Dilma perdeu chance de ouro para reverter expectativas deterioradas quando substituiu a diretoria envolta em corrupção. A opção pelo camarada Aldemir Bendine pôs tudo a perder.

A resposta petista à destruição da Petrobras vem na forma da truculência explicitada nas fotos estampadas nas primeiras páginas dos jornais de hoje. Se já não há mais argumentos racionais a sustentar o desastre e a defender a roubalheira, a ordem, endossada por Lula, é apelar para o grito e para a força. É o urro dos derrotados que se faz ouvir.

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