10 de ABR. de 2014
Pela hora da morte (Carta no. 896)
10 de Abril de 2014

Carta de Formulação e Mobilização Política, 10 de abril de 2014, No. 896



A divulgação da obscena inflação de março apenas confirma o que os brasileiros sentem no seu dia a dia: os preços no país estão pela hora da morte. Os itens mais básicos são os que mais sobem, prejudicando principalmente as famílias mais pobres. A presidente Dilma Rousseff mostra-se atônita, pois as medidas que tomou surtiram efeito inverso. É perda total.


Desde 2003, a inflação no mês de março não era tão alta. Segundo o IBGE, o IPCA foi a 0,92%, elevando a 6,15% o índice acumulado em 12 meses. A alta é disseminada e alcança 71% dos preços, com ênfase maior em itens como alimentos, saúde, educação e diversão. O povo não come PIB, mas com esta carestia está comendo cada vez menos comida.


O índice geral de inflação é só um indicador de que os preços na feira e no supermercado estão de amargar a vida de qualquer brasileiro. Em boa parte dos itens essenciais, os aumentos são bem maiores e bem acima do teto da meta oficial – no acumulado em 12 meses, isso acontece em 6 dos 9 grupos de preços que compõem o IPCA, apontou O Estado de S. Paulo.


Alimentos, por exemplo, subiram 1,92% apenas em março e já cumulam alta de 7,14% em 12 meses. Há produtos com elevações pornográficas: batata (35% no mês!), tomate (32,8%), passagens aéreas (26,5%), feijão (12%)... Serviços também saltaram de 8,2% para 9% no acumulado em 12 meses. A média geral de inflação só não está mais alta por causa da contenção dos preços de gasolina e energia, obtida à custa do desmonte da Petrobras e da Eletrobrás.


Na semana passada, o Dieese já havia mostrado que os preços da cesta básica explodiram em 16 das 18 regiões metropolitanas pesquisadas no mês de março. O custo chegou a variar 12,8% em Campo Grande e ficou acima de 10% em outras três capitais: Goiânia, Porto Alegre e Curitiba. Frise-se: tudo isso num único mês!


O clima seco é só um dos fatores a influir. A inflação em renitente alta, em patamar perigosamente elevado e que só não é maior porque é manipulada pelo governo é a manifestação mais evidente do fracasso do modelo econômico posto em marcha pelo PT a partir de 2008 e aprofundado por Dilma desde 2011.


Apostou-se numa fórmula mágica que permitiria aos brasileiros ampliar o consumo sem que o país aumentasse sua capacidade de produzir, até porque o investimento necessário para tanto não acontece. Acreditou-se que o governo poderia gastar, gastar e gastar impunemente para aquecer a economia. E que o Tesouro poderia assumir encargos bilionários para segurar preços. Falhou.


Outro equívoco capaz de figurar em manuais de economia foi o corte voluntarista de juros determinado pela presidente e efetuado pelo BC entre agosto de 2011 e outubro de 2012. A experiência de aprendizes de feiticeiro só fez atiçar a alta de preços e hoje as taxas já retornaram a patamar acima do qual estavam quando Dilma assumiu o governo. Falhou, e o Brasil voltou a ser o país dos juros reais mais altos do mundo – a dose já subiu 3,75 pontos em um ano e ainda deve aumentar mais...


Os remédios que o governo tenta empregar para debelar a alta de preços não têm sido eficientes. Usa a política monetária (aumento de juros), mas mantém frouxa a política fiscal, ou seja, o controle dos gastos públicos. Basta citar que, em março, as despesas federais subiram 15%, o dobro das receitas. Em 2013, para um aumento de gastos de R$ 109 bilhões, os investimentos do governo federal cresceram menos de R$ 4 bilhões.


As pesquisas de opinião comprovam o pânico que a população começa a sentir ante a escalada de preços. Segundo o Datafolha, 65% acreditam que a inflação vai subir mais – o nível de temor é o mais alto desde 2002. Já de acordo com o Ibope, 71% dos entrevistados desaprovam as ações de combate à carestia adotadas por Dilma.


O governo diz que não é preciso importar-se com a inflação porque ela está comportada, abaixo do teto da meta (6,5%). Deve ser coisa de quem não vai a supermercado ou vive no mundo da lua – como alguns ministros... Pelo terceiro ano consecutivo, a inflação deve fechar o ano em alta. Dilma legará a seu sucessor um índice mais alto do que herdou, além de uma montanha de preços represados (energia, combustíveis) que terão de subir.


A carestia é muito mais feia do que o governo tenta fazer crer e pesa cada vez mais no bolso dos brasileiros. Sobra mês em cada salário. Para piorar, o país não cresce e suas perspectivas de desenvolvimento são cada vez mais declinantes. É uma combinação ruinosa. E depois Dilma Rousseff não entende por que seu governo está em queda livre... Mas o povo sabe e quer ver a presidente e sua fracassada experiência pelas costas.

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