23 de JAN. de 2015
Eles não aprendem (Carta 1067)
23 de Janeiro de 2015
Carta de Formulação e Mobilização Política, 23 de janeiro de 2015

As novas revelações da Operação Lava Jato deixam ainda mais claro que o modus operandi adotado desde o mensalão mantém-se mais vivo do que nunca como parte do projeto de poder do PT. Compra de apoio parlamentar, financiamento irregular de campanha e assalto ao dinheiro público são seus principais ingredientes.

Os jornais de hoje trazem duas notícias que reforçam a constatação: a descoberta de que a consultoria de José Dirceu recebeu uma bolada milionária das principais empreiteiras envolvidas no assalto à Petrobras e as revelações de um empreiteiro de que um balcão de achaques desviava recursos públicos para pagar a fidelidade de parlamentares.

O ainda poderoso ex-ministro petista, condenado a sete anos e 11 meses por corrupção ativa, recebeu R$ 3,76 milhões de três empresas investigadas na Lava Jato. Os pagamentos ocorreram entre 2009 e 2013, quando ele já não estava no governo, não tinha mandato parlamentar e estava sendo julgado pelo mensalão. Que serviços sua consultoria prestaria?

Já a defesa apresentada por Gerson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix, sustenta que as empreiteiras eram ameaçadas por Paulo Roberto Costa e companhia limitada caso não soltassem a grana para financiar o projeto de poder petista. Já se sabe que a propina girava em torno de 3% do valor dos contratos, beneficiando PT, PP e PMDB pelo menos e influenciado as eleições de 2006, 2010 e 2014, mostra hoje o Valor Econômico.

As semelhanças com os tempos do mensalão não são mera coincidência. O que difere, porém, um escândalo do outro são as dimensões. No balanço que deve publicar na próxima terça-feira, a Petrobras deverá informar ao distinto público que a corrupção pode ter lhe surrupiado R$ 10 bilhões, segundo O Globo. A cifra (descoberta) do mensalão é apenas uma ínfima parcela disso.

Na semana passada, quando requereu a prisão de Nestor Cerveró, o Ministério Público Federal deixou claro que “não há indicativos de que o esquema criminoso [na Petrobras] foi estancado”. Há, segundo os promotores, indícios de pagamento de propinas a diretores da estatal mesmo em 2014.

Os desdobramentos recentes da investigação do ‘petrolão’ também se aproximam da presidente Dilma Rousseff. Tanto Cerveró quanto José Sergio Gabrielli imputaram ao conselho de administração presidido por ela as maiores responsabilidades pelos negócios ruinosos promovidos pela Petrobras – como a construção da refinaria Abreu e Lima, que dará prejuízo de ao menos US$ 3,2 bilhões à estatal, segundo revelou a Folha de S.Paulo.

Uma avaliação bondosa poderia afirmar que o PT não aprende com os erros que comete. Uma leitura mais realista, porém, indica que as falcatruas, a falta de limites éticos e o desrespeito ao bem público são inerentes à prática do partido que está no comando do país há 12 anos.

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