27 de FEV. de 2015
Dilma mãos de tesoura (Carta 1089)
27 de Fevereiro de 2015
Carta de Formulação e Mobilização Política, 27 de fevereiro de 2015, No. 1089

A navalha impiedosa de Dilma Rousseff continua à solta. Para corrigir os erros que reiteradamente cometeu nos últimos anos, e nega-se a admitir, o governo da presidente está tendo que produzir um sangrento ajuste fiscal. Investimentos, benefícios sociais e medidas de incentivo ao emprego estão entre os alvos preferidos dos cortes.

O ajuste fiscal recessivo do governo do PT congelou um naco considerável do Orçamento da União. A novidade veio publicada no Diário Oficial da União de ontem; ninguém do governo teve coragem de pôr a cara para anunciá-la.

Quando o corte é projetado para o ano, as estimativas sobre o valor subtraído variam de R$ 57 bilhões a R$ 80 bilhões. Será o maior dos últimos 15 anos. Em termos relativos, são cerca de 20% do orçamento federal, levando para o ralo vitrines que antes eram apresentadas pelo discurso petista como intocáveis, como o PAC e o Minha Casa Minha Vida.

Dilma não está para brincadeira. Mas, como manejar contas públicas com responsabilidade não é a praia dela, suas investidas vão deixando cicatrizes feias pelo caminho. É “de chorar”, segundo gente da cozinha do Palácio do Planalto ouvida por O Estado de S. Paulo. Os brasileiros que pagam a conta que o digam...

A presidente continua fazendo suas maldades sem assumir suas responsabilidades no ajuste fiscal, e sem sequer referendar publicamente as políticas recessivas que mandou Joaquim Levy tocar adiante. Sua relutância torna as “medidas corretivas”, como ela se refere às navalhadas, mais sangrentas.

Se o ajuste fosse crível, Dilma não teria de estar desdobrando as medidas fiscais de maneira a encontrar receitas que não existem ou cortar despesas que estão no osso – em janeiro, a arrecadação caiu, os investimentos despencaram 35% e o saldo fiscal foi o menor dos últimos seis anos.

Assim acaba sobrando para o contribuinte. Além do aperto nos gastos e dos cortes nos investimentos, hoje vieram mais maldades, saídas do saco da presidente na forma de aumento dos impostos sobre a folha de salários. As alíquotas mais que dobrarão a partir de junho.

Reverte-se, desta forma, parte da política de desoneração adotada nos últimos anos. Outras ações de incentivo ao investimento – como o PSI e o Reintegra – também irão retroceder, num vai e vem capaz de colocar mais trabalhadores sob o risco do desemprego – que já subiu com força em janeiro e deve continuar a escalar.

Estamos diante da confissão e da prova cabal de que a política econômica que vigorou nos últimos anos no país fracassou rotundamente. O comportamento irresponsável da presidente ora acaba por determinar o preço da desconfiança, aumentar o sacrifício da população e diminuir as chances de êxito. É difícil crer que agora vá dar certo.

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