03 de JUL. de 2015
As peças se encaixam (Carta 1173)
03 de Julho de 2015
Carta de Formulação e Mobilização Política, 03 de julho de 2015, No. 1173

São cada dia mais inócuas as tentativas dos petistas de transformar as revelações advindas das investigações da Operação Lava Jato em episódios isolados e/ou fruto da manipulação de delatores, ora tratados pela presidente Dilma Rousseff como “traidores”. O que foi descoberto até agora forma um todo absolutamente coerente. No quebra-cabeça da corrupção, todas as peças se encaixam.

Desde a divulgação da delação de Ricardo Pessoa, no fim de semana passado, as lideranças petistas buscam desqualificar o empreiteiro e rechaçar o conteúdo de sua colaboração com a Justiça. Se insistir nesta estratégia, o PT terá trabalho crescente: boa parte das descobertas tem convergido para ratificar o assalto de que o país foi vítima nas mãos de Dilma e Lula. É muita gente falando a mesma coisa.

Segundo levantamento feito por O Globo, pelo menos mais quatro delatores da Lava Jato já afirmaram o mesmo que Pessoa, ou seja, que o dinheiro da corrupção desviado da Petrobras e de outras estatais foi usado para irrigar campanhas políticas, em especial as do PT – e, mais especialmente ainda, aquelas que levaram o partido à Presidência da República.

São vários os testemunhos de que Lula e Dilma venceram com dinheiro sujo. Com quanto, não se sabe ainda. Mas certamente uma montanha de recursos da corrupção abasteceu os cofres dos petistas. Uma nova avaliação feita pela Polícia Federal, e divulgada hoje por O Estado de S. Paulo, indica que, só na Petrobras, a roubalheira pode ter chegado a R$ 19 bilhões.

O dinheiro desviado pode ter carcomido 20% do valor dos contratos firmados pela estatal, hoje em processo de desmanche em função do misto de predação e má gestão imposto pelos petistas à Petrobras nos últimos anos. O PT se esmerou na montagem da sua engrenagem corruptora.

O dinheiro que alimentava as campanhas circulava entre seus operadores tanto aqui quanto no exterior. Mostra a edição da Folha de S.Paulo de hoje que, no início de 2014, o partido acionou o doleiro Alberto Youssef para tentar repatriar R$ 20 milhões que os petistas mantinham lá fora. Não há confirmação de que a transação aconteceu.

Para encaixar mais algumas peças do quebra-cabeça, ontem foi preso o quarto ex-diretor da Petrobras envolvido com o petrolão. Na definição dos investigadores, agora está composta, atrás das grades da PF, a “camarilha dos quatro”. Não há dúvida de que são apenas a parte mais vistosa da quadrilha que agiu durante todos estes anos com o aval de Brasília.

O quebra-cabeça da corrupção já tem quase todas as suas partes encaixadas. A figura que ele revela é feia, abjeta. Mas é extremamente salutar que, com a atuação decidida de instituições do Estado, o país esteja perto de completar o enigma, encaixar as últimas peças que faltam e despachar esta gente para acertar as contas com a Justiça, de preferência atrás das grades e por um tempo bem longo.

(Foto: Veja/Editora Abril)

 

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